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Reportagem de capa - novembro/dezembro 2005
Evolução do Laboratório de Análise de Sementes
Fátima Zorato
fzorato@terra.com.br
A importância de um laboratório de análise de sementes sempre foi inquestionável. No entanto, o marco evolutivo de seu destaque foi com a instituição da Lei de Proteção de Cultivares, que protegeu os direitos da propriedade intelectual na área de melhoramento genético de espécies vegetais.
Com o desenvolvimento de cultivares mais produtivas e responsivas nos campos, tornou-se imprescindível a profissionalização do setor sementeiro, visando qualidade, e também a modernização da indústria de sementes, devido a competição estabelecida entre as empresas que se adequaram à mudança de comportamento de mercado, onde o marketing e atendimento ao cliente ganharam importância fundamental.
As benesses advindas do programa de melhoramento transformaram a semente no veículo transportador de toda a tecnologia agregada e exigiram mecanismos mais intensos de aferição de sua qualidade, sendo assim necessário um suporte laboratorial integrado ao sistema de produção de sementes bem mais profícuo, provendo o apoio técnico para aprimoramento do produto e correções de falhas do processo de produção.
A semente tem sua qualidade avaliada por um conjunto de índices, o somatório dos atributos genético, físico, fisiológico e sanitário, que são determinados pela análise de uma amostra representativa de um lote. A análise de sementes representa os procedimentos técnicos utilizados para avaliar a qualidade e a identidade da amostra.
O laboratório de sementes, visto como o centro da verificação da qualidade, é uma unidade constituída e credenciada especificamente para proceder a análise e emitir o respectivo boletim. De acordo com a legislação pertinente, baseia-se nas Regras para Análise de Sementes (RAS), que se fundamentam na uniformidade dos procedimentos e especificam padrões para os diferentes métodos de análises empregados, assim como os tamanhos máximos para os lotes de sementes e o peso mínimo da amostra média ou submetida e da amostra de trabalho para os diferentes tipos de testes.
A quantidade de sementes analisadas em um laboratório é muito pequena em relação ao tamanho do lote a qual representa. Se o lote não for homogêneo ou se houver erro na amostragem, as informações serão incorretas e comprometedoras, podendo beneficiar ou prejudicar os usuários das sementes analisadas. Dessa forma, é necessário proceder de acordo com métodos pré-estabelecidos e, rigorosamente seguidos, para a coleta de amostras.
Infra-estrutura
Para a instalação de um laboratório, é necessária infra-estrutura adequada ao volume de sementes analisadas e obediência às normas específicas:
1- Recepção/protocolo - deve ser ampla e conferir suporte necessário para armazenar as amostras. É o local onde se realiza a checagem e confirmação das informações inerentes ao lote de sementes e posterior protocolo;
2- Sala de homogeneização - destinada ao preparo da amostra de trabalho. Deve conter os equipamentos como homogeneizadores apropriados às diferentes espécies credenciadas, balanças analíticas, determinador do grau de umidade (opcional) entre outros materiais;
3- Sala de execução de análise (operacional e técnica) - deve utilizar dois ambientes - um para instalação operacional dos testes, que deve ter mesas e cadeiras de alturas apropriadas obedecendo a questão ergométrica para minimizar problemas aos colaboradores, além de equipamentos, materiais de consumo (papel específico para germinação, lápis cópia, atílios de borracha), soluções, reagentes, entre outros, utilizados nos testes. O segundo ambiente deve ser estruturado para as análises técnicas propriamente ditas, ou seja, a verificação da qualidade das sementes. Necessita mesas de altura apropriada para o analista, material e equipamentos de suporte às avaliações (mesas de pureza, pinças, balanças, luminárias e lupas de aumentos de acordo com a necessidade dos diferentes testes, entre outros);
4- Sala de germinadores (câmaras) - de tamanho adequado à demanda do laboratório, deve possuir germinadores em número suficiente, termômetros de máxima e mínima e aparelhos de ar refrigerado;
5- Arquivo de amostras - deve ser compatível com o número de amostras recebidas para análises, ter sistema de ar refrigerado e desumidificadores de ar funcionais (temperatura entre 10°C a 15°C e umidade relativa do ar entre 50% a 60%) e ser protegido contra a ação de insetos e roedores, para garantir o estado de conservação do lote de sementes até o período recomendado ao descarte;
6- Escritório - com equipamentos e materiais de consumo necessários à emissão de laudos e boletins de análises.
Todos os equipamentos apropriados às análises devem ser periodicamente calibrados e devem ser efetuadas as devidas manutenções para assegurar a exatidão de resultados.
O laboratório de sementes não pode ser responsável pela deterioração da amostra durante o período da análise. Para tanto, todo esforço deve ser feito para iniciar a análise tão logo de seu recebimento, reduzindo ao mínimo o tempo de espera. Se for necessário conservar as amostras médias ou submetidas durante algum tempo, antes de sua análise, é essencial que estas estejam armazenadas em ambiente ventilado ou com aparelho de ar refrigerado, de tal maneira que as alterações na qualidade das sementes, como dormência, grau de umidade e germinação, sejam mínimas possíveis.
Pessoal
Os profissionais devem ser qualificados, tanto técnica quanto operacionalmente. As capacitações devem ser realizadas através de treinamentos e reciclagens periódicas, para desempenho das diferentes funções. Além dos treinamentos internos, existe o intercâmbio entre laboratórios e o treinamento obrigatório dos analistas junto aos laboratórios oficiais, supervisores (estaduais ou federais).
O perfil de pessoas envolvidas num laboratório de sementes é determinante para o sucesso deste, porque o trabalho é ardiloso, exige grande responsabilidade, necessita boa acuidade visual, e principalmente paciência, por se tratar de um trabalho rotineiro, e determinado teste, às vezes, precisa da dedicação durante horas para a realização e encerramento de uma análise. Outros aspectos relevantes considerados são a ética profissional, a capacidade de discussão e argumentação sobre os testes e relacionamento em equipe, haja vista, a execução das atividades, um dependente do outro.
A avaliação da qualidade de trabalho dos analistas é realizada, normalmente, através de testes de aferição, treinamentos, reciclagens entre estes, na época inicial das atividades.
Quando na execução de análises ocorrem dificuldades em qualquer dos testes, no período de baixa atividade busca-se um treinamento específico dentro daquela modalidade, da espécie ou cultivar, até a adequação necessária e todos atenderem o mesmo padrão referencial.
Uma outra forma de avaliação dos analistas é feita de forma externa, após a finalização das análises, quando é realizada uma coleta aleatória pelo laboratório supervisor do estado para aferição das análises. Esta comparação nos testes é um instrumento valioso que possibilita a correção e melhoria do desempenho dos laboratórios credenciados e proporciona a confiabilidade.
O objetivo
O objetivo principal do laboratório é gerar informações detalhadas sobre o potencial de desempenho das sementes, através de testes especializados e padronizados, que são adjuvantes na identificação de problemas e suas possíveis causas, para minimizar riscos em qualquer das fases de produção, ou seja, da pré-colheita até o momento de semeadura.
O cotidiano da prestação de serviço em um laboratório de sementes contempla uma rotina estabelecida através de recebimentos de amostras médias (submetidas), protocolo, homogeneização, preparação da amostra de trabalho, realização das análises (testes específicos) solicitadas pelo produtor, arquivo da contra-amostra, emissão de laudos e boletins e a entrega de resultados.
Os principais testes efetuados são: análise de pureza, verificação de espécies e cultivares, exame de sementes nocivas, germinação, teor de água (grau de umidade), peso de mil sementes, dano de máquina (algodão), tetrazólio e envelhecimento acelerado.
A responsabilidade, a disciplina e a seriedade que devem ser mantidas num processo de análise de sementes são as ferramentas que fazem o diferencial dos laboratórios que conquistam maior ou menor credibilidade.
O LAS da Aprosmat
E neste sentido, o laboratório de análise de sementes da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), criado em 1989, vem desempenhando um relevante papel frente à produção de sementes, que o tornou um dos maiores da região, em estrutura física, pessoal e número de análises/ano. Encerrou no ano 2004 com 38 mil amostras analisadas, significando mais de 100 mil testes realizados.

Acompanhando a pujança da agricultura mato-grossense, atendendo a demanda cada vez maior, objetivando melhorar de forma contínua a qualidade de seus serviços e satisfazer a necessidade de seus clientes, os produtores da Aprosmat investiram numa infra-estrutura adequada à dimensão da demanda existente e inauguraram em maio de 2004 as novas instalações do laboratório de sementes - próximo de 1000 metros quadrados de construção, com um sistema de câmaras modernas, germinadores, equipamentos especializados aos diferentes testes, microcomputadores para todos os analistas.

Foi o primeiro laboratório de sementes no Brasil, desde 1999, a implementar a informatização nos diferentes testes efetuados e a receber e protocolar amostras com código de barras. Todas estas conquistas e inovações proporcionaram agilidade de informação dos resultados e auxiliaram na motivação, não somente dos analistas, mas também de todos os envolvidos no setor de sementes, usuários do laboratório, os quais foram buscar adequação em seu sistema, e isso contribuiu para o desempenho do trabalho como um todo.
O laboratório da Aprosmat está credenciado junto à Coordenação Geral de Apoio Laboratorial (CGAL) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), na análise de sementes para as mais diversas espécies: soja, algodão, arroz, milho, feijão, milheto, sorgo, café e várias espécies forrageiras.
Está também credenciado para detecção de Organismos Geneticamente Modificado (OGM), e atua de maneira efetiva, analisando tanto amostras de sementes e grãos dos associados quanto de terceiros, que destinam grãos às indústrias.
Assumiu, em 2003, o compromisso de adoção e implementação do Sistema de Qualidade respaldado nos requisitos da Norma NBR ISO/IEC 17025, bem como o de cumprimento dos objetivos do mesmo, desenvolvendo trabalhos confiáveis que assegurem a qualidade, baseados nas RAS e demais padrões e legislações aplicáveis.
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