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continuação: A logística, da produção à distribuição de sementes


Em cada ponto de colheita há um funcionário responsável, que administra o funcionamento das máquinas e direciona a colocação nos caminhões. No bloco de autorização de colheita constam a máquina que está colhendo, o talhão que está sendo colhido, o número do campo, a variedade, a data de colheita, a hora de partida do caminhão, a placa e o nome do motorista. Segundo Martins, não se trata de uma nota fiscal, e sim de um romaneio.

"O motorista chega na moega e entrega para o operador da balança. Todos os dados que estão contidos no formulário fazem parte do programa de gerenciamento, um software adaptado às necessidades da empresa. As informações geram anualmente um banco de dados de toda a safra. Desde a semeadura, é possível rastrear o produto, por lote. Até o descarregamento na moega, o romaneio continua em aberto; só será fechado na hora em que forem aferidas a umidade, a impureza e a tara do caminhão. O romaneio só será liberado no computador, na hora em que o caminhão sair do pátio", descreve o executivo da Agro-Sol.

Na experiência da Syngenta, que produz anualmente em torno de 1.300.000 sacos de sementes de milho (cerca de 14 híbridos) processados nos períodos da safra e safrinha, o esforço para preservar a identidade dos materiais, evitando misturas em nível de campo e nos armazéns envolve um trabalho enorme. No relato de Gloverson Moro, primeiramente há um trabalho de isolamento dos campos, sendo que estes devem ser colhidos individualmente e processados nas UBSs de forma individual.

Segundo ele, existe uma perfeita coordenação entre colheita, transporte e recepção, só havendo esperas para o carregamento, no caso de períodos prolongados de mau tempo. "Como toda a movimentação de produto, ele vem acompanhado de toda a parte fiscal necessária. Evidentemente, é preciso lembrar que existem também os aspectos legais do próprio campo - dependendo da categoria da semente, existe inspeção oficial; existe a inspeção interna e o controle de qualidade da própria empresa", descreve Moro.

Quanto ao sistema de aferição de qualidade ao chegar na balança, normalmente se faz uso das chamadas fórmulas técnicas, a partir de uma amostra em que são avaliados todos os componentes - palha, sabugo, grão podre... "Também é aferida a umidade e se fazem os descontos cabíveis - e aí se tem o volume de grão", observa o executivo da Syngenta. Dependendo do grau de detalhe e do tipo de informação, o registro desses dados pode ser feito através de sistemas centrais ou através de planilhas, tudo informatizado.

Sobre a forma de comunicação da UBS com o cooperado para deflagrar o início da colheita, Gloverson Moro explica que em cada região há um responsável técnico e a ele é dada a instrução de autorizar a colheita. "Então toda a operação é disparada - equipamento, colhedora, caminhões, etc. E a UBS fica preparada para receber", relata.

Distribuição
Na Syngenta, o período de distribuição - vendas para a safra - sofre variações em função da região, iniciando normalmente em junho e podendo estender-se até novembro, na região central. Para a safrinha, a comercialização vai de dezembro a fevereiro, às vezes entrando em março. A distribuição é feita com base em processos de organização do estoque e de conferência bastante eficientes. As cargas são acompanhadas de nota fiscal e de todos os documentos legais, que envolvem qualidade, validade, entre outros itens.

Diversas ferramentas de gestão são utilizadas pela empresa, sendo que a ISO 9001 encontra-se em fase de implantação. Segundo Moro, o sistema de distribuição é desenhado para evitar erros. "O máximo que poderia ocorrer seria uma inversão de tamanho, de peneira", pondera.

Acerca da possibilidade de distribuir as sementes a granel, sistema adotado pela Syngenta em outros países, o empresário considera algo interessante, mas afirma que no Brasil ainda não se tornou possível. "Estamos agora cogitando a possibilidade de enviar o produto em palets (grupo de 50 sacos de grande capacidade, formando um cubo), mas é preciso ver se o mercado aceita isso", observa.

A Syngenta tem em torno de 240 pessoas envolvidas na parte de supply (pesquisa de produção, semente pré-básica, semente básica, produção, armazenamento e distribuição). Apenas na parte de armazenamento e distribuição, são cerca de 30 pessoas.

Na Agro-Sol, a distribuição da semente para o agricultor, começa na segunda quinzena de setembro e se estende até a primeira semana de dezembro. O trabalho é feito com base nos pedidos inseridos no programa pelo departamento comercial antes de setembro. O carregamento prevê o destino, número de variedades ou até mesmo número de fazendas em que o material deve ser descarregado. Se houver fracionamento, o material das fazendas mais próximas é colocado por último (há casos em que o produtor tem mais de uma fazenda e em muitas vezes o frete é conjunto - vários produtores se unem e pagam só um frete). Mesmo assim, a separação por lotes evita a possibilidade de ocorrer mistura.

A capacidade de carregamento diária gira em torno de dez carretas - isso com apenas uma equipe. A semente é vendida sobre rodas, dentro da UBS. Sai dentro da sementeira, ensacada em sacos de 40kg. "Começo a colher hoje o material, e depois de amanhã ele já está armazenado e ensacado, com seu bloco individualizado, cada lote em torno de 300 sacos. Nosso dever é entregar a semente com lotes completamente identificados e separados", detalha José Francisco Martins.

A carga é acompanhada de nota fiscal, atestado de garantia do produto e um relato de informações sobre o controle de qualidade - peso de mil sementes, último teste de canteiro realizado, recomendações de semeadura e a descrição do material, se é precoce, tardio, se existe a presença de alguma doença, fungo ou nematóide.

José Francisco enfatiza que desde a semeadura já é preciso existir a consciência de que se está fazendo um campo de sementes, em que vários quesitos precisam ser obedecidos, principalmente no sentido de evitar misturas. A preocupação deve seguir durante a colheita.

"Geralmente, o pessoal que planta é o mesmo que colhe, já sabe o que foi feito. Isso é muito bom, porque na hora de colher eles estão preocupados com o resultado. Se a lavoura foi bem plantada, a colheita, conseqüentemente, será boa", argumenta, lembrando que com o advento dos transgênicos, cada vez mais, na gestão da colheita ao beneficiamento, os cuidados têm de ser redobrados, para evitar misturas.

O número de pessoas envolvidas na logística, na Agro-Sol, fica em torno de 50, na época da colheita. No período do transporte, o número gira em torno de 20 pessoas.

Na Sementes Roos, a distribuição dos mais de 400 mil sacos comercializados se dá em 40 dias, próximo a semeadura, que é sempre nos meses de setembro e outubro. O produto é vendido para os estados do RS, SC, PR, MS, SP, e para o Paraguai.

"O controle de estoque deve ser minucioso, pois na verdade as 20 variedades com que trabalhamos se transformam em 40, porque existem dois tipos de peneira. E além disso têm a semente fiscalizada e a certificada. Então, o número cresce para 50, 60 itens. E ainda há as diferenças de lotes. É necessário que se tenha um software muito bom para controlar tudo isso. Cada carga se faz acompanhar da nota fiscal, do boletim de análise e do atestado de garantia, lote por lote, e ainda do atestado de não transgenia.

A empresa tem na ISO 9001 uma das principais ferramentas de gestão, o que se reflete principalmente no treinamento de pessoal, submetido a constante reciclagem. Além disso, investe bastante na tecnologia de softwares, disponibilizando um banco de dados, que reúne todo o tipo de informações.

Segundo Arlei Krüger, toda a semente é vendida em sacos de 40kg. Alternativas como embalagens big bag (sacos de 500 a 1000kg) ainda são incompatíveis com as peculiaridades do mercado. A distribuição do produto a granel é descartada por vários motivos, entre eles a diversidade do porte dos clientes.

Na Roos, o número de pessoas envolvidas na logística supera a 80, entre comercialização, laboratório e carregamento.



As áreas de recepção, beneficiamento e distribuição das empresas de sementes necessitam de processos ágeis e eficientes


Resumo
As empresas de sementes requerem cada vez mais ferramentas de gestão para melhor atenderem seus clientes e manterem-se no negócio. Entre as ferramentas destacam-se boas bases de dados sobre os clientes e históricos de produção, as quais são essenciais como apoio para tomada de decisões, softwares específicos para agilização de processos, treinamento de pessoal e atitude proativa. Atualmente, as anotações na ponta do lápis são insuficientes.





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