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Reportagem de capa - mar/abr 2005
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A logística, da produção à distribuição de sementes
Dr. Arlei Roberto Krüger
Sementes Roos
arlei@sementesroos.com.br

Dr. José Francisco Martins
Sementes Agro-Sol
jose.francisco@grupoagro-sol.com.br

Dr. Gloverson Moro
Syngenta Seeds
gloverson.moro@syngenta.com

Dr. Rui Rosinha
Pró-Sementes
lascuritiba@terra.com.br



A logística - arte de administrar os negócios de forma integrada, otimizando os recursos disponíveis, visando o ganho global - ganha cada vez mais destaque no cenário empresarial, podendo constituir importante diferencial ou até mesmo inviabilizar uma atividade. Na verdade, as possibilidades de redução de custos, bem como de aumento de vendas, através de procedimentos logísticos, são inúmeras e dependem da criatividade e do conhecimento dos principais fundamentos envolvidos.

Estão compreendidos os processos de planejamento, implementação e controle do fluxo e armazenagem eficientes de matérias-primas, estoque em processo, produto acabado e informações relacionadas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do cliente. Em um contexto industrial, pode ser definida como a arte e a ciência de administração e engenharia para obter, produzir e distribuir materiais e produtos a um local específico e em quantidades específicas.

Como não poderia deixar de ser, a abordagem desta matéria está voltada para o setor de sementes. Seu conteúdo está baseado na experiência de importantes profissionais do ramo, ouvidos por nossa reportagem: Arlei Roberto Krüger (Sementes Roos), José Francisco Martins (Sementes Agro-Sol), Gloverson Moro (Syngenta Seeds) e Rui Rosinha (Pró-Sementes).

Quanto às ferramentas de gestão mais importantes para uma empresa produtora de sementes, na opinião de Rui Rosinha, executivo da Fundação Pró-Sementes (especializada em sementes de soja e trigo), além do controle de qualidade, um item bastante significativo é relativo à área de marketing, em que a ferramenta de fundamental importância é o banco de dados da clientela. "É através dele que se pode conhecer muito do perfil do cliente e aí dirigir os esforços no sentido de atender as demandas identificadas", argumenta.

Ele acredita que as empresas precisam sair um pouco do que se refere ao aspecto tecnológico e ingressar também nessa área realmente empresarial. "Estamos muito ligados às questões de controle de qualidade, testes e tudo o mais, que são indispensáveis, mas, fundamentalmente, as empresas precisam vender, senão elas param de andar", pondera Rosinha.

"No mundo atual, em que a concorrência é cada vez mais forte, os mais ágeis são os que vão vencer, não os mais fortes. O fundamental é a agilidade da empresa em saber conhecer o seu mercado e ter percepção dos movimentos que esse mercado faz. Com a informação mais dinâmica, as mudanças são muito rápidas e às vezes não são acompanhadas pelas empresas", observa o executivo.

Questionado sobre o que considera necessário para a empresa pôr em prática essas ferramentas, Rosinha diz que aposta em um trabalho de recursos humanos capaz de fazer a empresa toda se movimentar na direção de conhecer o mais profundamente possível o cliente. "São também necessárias ferramentas de gerenciamento informatizadas, porque o somatório de informações é muito grande, não dá para gerenciar isso na ponta do lápis. Se faz necessário um instrumento de gerenciamento de banco de dados compatível com as necessidades da empresa". Na opinião de Rosinha, o ambiente mais carregado dentro das empresas se origina do conflito de falta de informações. "O importante é que através de um sistema bem conduzido as informações estejam disponíveis para todas as pessoas", enfatiza.

A capacitação de pessoal é também um aspecto imprescindível, começando pelo nível de escolaridade, no mínimo ensino médio. Segundo Rosinha, mesmo que se possa encontrar algum virtuoso, o ideal é que o nível de escolaridade seja, no mínimo, o ensino médio. "Não se pode ficar tocando de ouvido, é preciso tocar por música!", resume. O trabalho deve resultar de um planejamento estratégico a médio prazo, desenvolvido de forma contínua, o que também atenua os custos dos investimentos.

Colheita e armazenagem
Nas linhas a seguir, procuraremos levantar o que está envolvido na logística desses processos. Na verdade, tudo pode ser resumido em duas palavras, que constituem alvos permanentes: agilidade e eficiência. Vejamos, inicialmente, a experiência da empresa Roos Sementes, que a cada safra recebe em torno de 500 mil sacos de sementes, de 20 cultivares de soja. Tudo isso concentrado em um único mês. Depois de processada, essa produção equivale a cerca de 20 toneladas.

Nossa indagação inicial: O que é feito para que esse grande volume de produção não seja misturado e para que os caminhões não fiquem horas esperando na lavoura? Quem responde é o executivo Arlei Roberto Krüger: "Basicamente, a condução desse processo inicia na época de semeadura, com a escolha das cultivares, onde já se faz um planejamento por agricultor, ou por fazenda, para que determinada variedade, mesmo vindo de fazendas ou de agricultores diferentes, chegue no mesmo período dentro da empresa. Então são direcionadas inicialmente as variedades precoces e, na seqüência, as médias e tardias. Ou seja, busca-se concentrar o recebimento de cada variedade dentro do período mais curto possível. Esse é um planejamento que fazemos desde a época de semeadura - muitas vezes, dependendo do clima, a execução não é tão fácil, mas é uma ação adotada para amenizar a espera para descarga".

Segundo Krüger, podem entrar num dia até 30 mil sacos de semente na UBS, o que corresponde a cerca de 80 caminhões/dia, o que exige uma estrutura muito boa de armazéns e uma grande capacidade de descarga. Os veículos do tipo caçamba são todos contratados para o serviço. A carga é acompanhada de nota fiscal.

Ao chegar na balança, são aferidos umidade, impureza, mistura varietal e invasoras. Tudo na hora e por amostragem e já se faz também uma simulação de quebra. Todos esses registros são feitos com a ajuda de um software, um sistema integrado que está em permanente processo de atualização. "Já no laboratório, ao se fazer as análises, o sistema é alimentado com as informações. O programa mostra o saldo disponível para venda. Em cima desse saldo é que se controla o estoque de vendas. O software integra todos os dados", observa o executivo.

Outra questão: Como é feita a comunicação da UBS com o cooperado, para autorizar que ele inicie a colheita? Krüger explica que existem diversas vistorias durante o ciclo produtivo, dando a assistência técnica necessária, sendo que na pré-colheita o cooperante solicita à empresa autorização para dar início à colheita. "A liberação é feita e o pessoal do armazém já fica preparado para receber determinada variedade de determinado cooperado. Já se deixa tudo pronto, nenhuma carga chega de surpresa".

Para a Agro-Sol, empresa que trabalha com uma média de dez variedades de soja, em que o número de sacos colhidos atinge a média de 250 mil, correspondendo a cerca de 400 caminhões de 27 toneladas - produção recebida dentro do período de 60 dias -, a fórmula para evitar a mistura de materiais no campo é também a semeadura escalonada, indo de variedades precoces até as médias e tardias, que posteriormente são colhidas na mesma ordem. "A capacidade de semeadura da empresa é de 200 ha/dia, o que exige uma capacidade de colheita correspondente", observa José Francisco Martins. Segundo ele, a UBS deve estar preparada para receber os materiais, de forma a evitar misturas - silos separados, correias transportadoras e moegas individualizadas.

"As linhas de beneficiamento também são separadas: limpeza, padronizadores, espirais individualizadas por materiais, até o processo de ensaque. A partir daí, os materiais começam a ser individualizados pelo número de lote e por peneiras, eliminando a possibilidade de mistura", explica.



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