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Reportagem de capa
continuação: Amostragem é decisiva na busca da qualidade
Amostragem no fluxo da semente
Na prática, é conveniente fazer a amostragem durante o beneficiamento, por ocasião do ensaque, podendo ser feito manualmente ou usando um amostrador automático, mas sempre levando em consideração que em ambos os casos é importante que toda a secção transversal do fluxo de sementes seja uniformemente amostrada e que as sementes que entram no amostrador não sejam jogadas para fora novamente. Várias amostras simples devem ser retiradas a intervalos regulares de tempo para que possam representar a totalidade do lote.
Amostragem manual ou com instrumentos (amostrador)
Em certas situações, com sementes palhentas, a amostragem manual pode ser o único método satisfatório. As amostras simples devem ser tomadas retirando-se as mãos cheias de sementes de diferentes posições ao acaso, cuidando em manter os dedos firmemente fechados sobre as sementes, para que nenhuma escape. É necessário retirar amostras simples das camadas mais profundas da embalagem, mesmo que isso signifique a necessidade de esvaziá-lo parcialmente primeiro.
O uso de instrumentos(amostrador) é viável quando as sementes deslizam facilmente, sendo então retiradas porções de sementes da parte superior, do meio e do fundo de cada recipiente. Deve ser tomado o cuidado para que as amostras não sejam retiradas das partes mais acessíveis e convenientes do lote.

Amostragem a granel
A granel, significa que a semente não está contida em recipientes como sacos. As dificuldades para essa amostragem irão depender das condições como ela está armazenada.
Se a profundidade do recipiente ou local onde está armazenada a semente não ultrapassar 2-5 metros, o uso de um instrumento (amostrador), de tamanho compatível, pode ser necessário. Contudo, os métodos e principalmente os cuidados devem ser os mesmos dispensados para qualquer amostragem.

Amostragem de plantas
Uma hectare de milho possui 50 mil plantas e, considerando que a área máxima para inspeção da qualidade são 50 ha, vamos ter 2.500.000 plantas, as quais também, por motivos óbvios, devem ser amostradas. No caso de plantas, a intensidade da amostra envolve a tolerância do contaminante e um fator aceito universalmente, consistindo em o que tamanho da amostra deva ser tal que, encontrando-se três contaminantes, o campo ainda pode ser colhido para semente. Assim, considerando uma tolerância, de 0,2% (2 contaminantes em 1000 plantas), deveremos amostrar 1.500 plantas. Assim, cada planta amostrada representará 1.667 plantas. Quanto menor a tolerância, maior o número de plantas a serem amostradas.
Amostragem no laboratório
A amostra submetida, recebida no laboratório de análise de sementes, geralmente necessita ser reduzida a uma amostra de trabalho igual ou maior que o tamanho prescrito para cada espécie e teste a ser realizado.
A amostra submetida, após ser inicialmente bem misturada, passa por divisões sucessivas, usando métodos e instrumentos específicos, para obtenção das amostras de trabalho.
Amostras duplicatas e sub-amostras devem ser retiradas independentemente da amostra submetida, sendo o remanescente novamente homogeneizado, antes que outra amostra ou sub amostra seja retirada.
Importância
Para termos uma idéia da importância da amostragem, utilizemos o teste de germinação.
Considerando que um lote de sementes de soja tenha 20 t. e que 6 sementes pesam 1 g, esse lote terá aproximadamente 120.000.000 sementes. Como salientado no texto, não vamos testar todas as sementes e sim fazer uma amostragem de tal forma que as sementes a serem utilizadas no teste de germinação representem todo o lote . Assim como o teste de germinação utiliza uma Amostra de Trabalho de 400 sementes, o resultado obtido nessa determinação irá representar as 120 milhões de sementes do lote. Caso a amostragem não seja realizada corretamente, essa relação não será verdadeira, com prejuízo para todos.
Amostrador
A Lei nº 10.711, regulamentada em 2004, instituiu que o Mapa deverá credenciar, junto ao Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), as pessoas físicas que comprovem qualificação técnica em amostragem, para exercerem a atividade de amostrador de sementes, as quais serão autorizadas a executar a amostragem dos lotes de sementes destinados à certificação.
Importante também nesse momento de atualização das Regras para Análise de Sementes, que as diferenças existentes, quando se comparam os valores adotados pelo Brasil em relação à International Seed Testing Association (Ista), quanto a tamanhos máximos de lotes, de amostras submetidas e de trabalho, sejam compatibilizadas, assim como, que todos os técnicos envolvidos na atividade de produção de sementes, inclusive aqueles responsáveis pela amostragem oficial, estejam conscientes de que os resultados obtidos no laboratório se referem à amostra analisada e que esta precisa ser representativa do lote.
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