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Reportagem de capa - jan/fev 2005
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Amostragem é decisiva na busca da qualidade
Dr. Osvaldo Ohlson de Castro
Claspar
lascuritiba@terra.com.br







A teoria da amostragem é um estudo das relações existentes entre uma população e as amostras dela extraídas.

Em estatística, uma das maneiras segundo a qual se pode obter uma amostra representativa, é o processo denominado amostragem aleatória, de acordo com o qual, cada elemento de uma população tem a mesma probabilidade de ser incluído na amostra.

Quando nos deparamos com o assunto qualidade de sementes, quase que de imediato usamos a palavra amostragem para explicar alguma ação, pois faz parte do processo de controle da qualidade.

A uniformidade nos procedimentos e informações detalhadas são fundamentais na amostragem de um campo de sementes, de um lote de sementes, assim como no laboratório, na retirada das amostras de trabalho.

Uma amostragem incorreta pode levar à tomada de decisões incorretas, descartando um produto de alta qualidade ou aprovando outros de qualidade inferior, resultando no insucesso de um empreendimento.

A amostragem é fundamental em todos os estágios da avaliação da qualidade das sementes, a partir da sua obtenção, produção, no processo de recebimento, no beneficiamento, na análise e, finalmente, na Fiscalização do Comércio.

O crescente aumento da produção de grãos no Brasil, além da expansão da fronteira agrícola, é resultado do aumento da produtividade, conseqüência da maior qualidade das sementes oferecidas ao produtor. Os melhoristas, graças às novas cultivares que têm desenvolvido, cada vez mais produtivas, melhor adaptadas e resistentes às doenças, em muito contribuem para o sucesso da agricultura brasileira. Mas para chegar ao agricultor, esses novos materiais precisam ser multiplicados em grande escala, gerando volume disponível para atender as necessidades. Nesse processo de multiplicação, os materiais passam por constantes avaliações da qualidade, para identificação e preservação das características favoráveis.

Do estágio inicial, quando em pequenos volumes, poucas parcelas, sob o constante controle do melhorista, todo material já passa por avaliações para controle da qualidade. Processo simplificado, população pequena onde quase é possível observar cada indivíduo quanto às suas características desejáveis e indesejáveis. A partir daí, no processo de multiplicação, com o aumento dos volumes e das áreas, essa observação individual se torna impossível.

No campo, além da extensão das áreas, a maioria delas, quando de uma mesma espécie, numa mesma região, atingem uma mesma fase de desenvolvimento e precisam ser inspecionados num período de tempo curto e sem que cada planta possa ser observada individualmente. O técnico precisará realizar uma inspeção completa, que lhe permita, com segurança, determinar a aceitação ou não da área para produção de sementes. Então, essa inspeção envolverá uma estimativa para a qualidade, baseada na coleta de amostras, sobre as quais estará a decisão da aceitação ou rejeição. Essas amostras serão áreas da lavoura, tomadas ao acaso dentro de um percurso pré- estabelecido, cujo tamanho estará em função do limite de tolerância para os fatores a serem observados.

A amostragem para inspeção de campo, como qualquer outra amostragem, está sujeita a limitações. O procedimento de inspeção deve levar em conta o tempo, a aleatoriedade, tendenciosidade, mas, acima de tudo, permitir uma estimativa bastante próxima da qualidade do campo. Neste caso, a amostragem deve levar em conta a uniformidade do campo, ser representativa da área e possibilitar uma avaliação precisa dos fatores indesejáveis, dentro da precisão requerida.

Se em um lote de sementes todos os indivíduos fossem iguais, teríamos um lote perfeitamente homogêneo e bastaria tirar uma única amostra para a sua correta avaliação.

É considerado como lote de sementes uma quantidade específica destas, fisicamente identificada, na qual cada porção é, dentro de tolerâncias permitidas, homogênea e uniforme para as informações contidas na sua identificação.

A uniformidade está relacionada com a probabilidade de um componente ocorrer em uma amostra, de um determinado tamanho ser constante através de todo o lote. Em um lote de sementes uniforme haverá uma diferente mas constante probabilidade associada com cada componente. Isso nos leva a concluir que se os componentes de um lote de sementes estão distribuídos de forma aleatória em todo o lote, uma amostra representativa tirada de qualquer um dos pontos não deve ser significativamente diferente de outra amostra representativa tirada de qualquer outro ponto.

Quanto à semente da espécie em questão, podem existir variações em relação ao grau de umidade, tamanho, forma, peso, nível de danos, viabilidade e outros.

Já o material estranho pode ser extremamente variável e estar composto por sementes de outras espécies cultivadas e/ou silvestres e por material inerte (resíduos, palhas e torrões).

A uniformidade pode ser então considerada como uma característica dinâmica, sendo influenciada a partir da colheita, onde normalmente é mais uniforme, passando pelo transporte, beneficiamento e durante o armazenamento. No armazenamento, as qualidades fisiológica e sanitária estarão mais sujeitas a alterações, tanto dentro dos recipientes individualmente como dentro de todo o lote.

Para o planejamento das técnicas da amostragem é preciso levar em consideração todas as possibilidades de variação, a finalidade da amostragem e a etapa que está sendo realizada. São definidos os seguintes tipos de amostras:

- Amostra Simples - é uma pequena porção tomada de um ponto do lote.
- Amostra Composta - é resultante da combinação e mistura de todas as amostras simples tomadas do lote.
- Amostra Submetida - é a amostra recebida pelo laboratório para a execução dos testes. Ela deve possuir um tamanho especificado nas Regras para Análise de Sementes e pode incluir toda ou uma sub-amostra da Amostra Composta.
- Amostra Oficial - amostra retirada por Fiscal, para fins de fiscalização.
- Amostra de Identificação - amostra com a finalidade de identificação do lote.
- Amostra de Trabalho - é uma sub-amostra tomada da Amostra Submetida no laboratório, na qual um teste de qualidade será realizado.
- Sub-amostra - é parte de uma amostra obtida pela sua redução, usando métodos de amostragem prescritos.

Uma amostra é obtida de um lote de sementes pela tomada de pequenas porções, de forma aleatória, em diferentes locais do lote e combinando-as. Desta amostra, amostras menores são obtidas por uma ou mais divisões.



Amostragem em diferentes etapas do negócio sementes


A finalidade da amostragem em um determinado volume de sementes é obter uma amostra de tamanho adequado para os testes que se pretende realizar, nas quais estejam presentes os mesmos componentes do volume total e em proporções semelhantes, e que a probabilidade de qualquer componente estar presente na amostra deve ser determinada somente pelo grau de ocorrência no lote.

Cada característica da qualidade de um volume de sementes está baseada na amostragem executada segundo procedimentos previamente descritos. A quantidade de sementes que compõe uma amostra, sobre a qual os indivíduos serão examinados, é extremamente pequena quando comparado ao volume que representa. Quando um resultado é expresso como um simples número para um lote de sementes, presume-se que não exista nenhum tipo de heterogeneidade, isto é, não haja variação significativa nas diferentes partes desse lote de sementes.

Por mais criteriosos que sejam os procedimentos empregados nas análises, os resultados somente irão indicar a qualidade das sementes contidas na amostra examinada. Portanto, todo cuidado deve ser dispensado pelo amostrador, no armazém, assim como pelo analista, no laboratório, a fim de que essas amostras sejam representativas, respectivamente, do lote de sementes e da amostra recebida pelo laboratório.

Se um lote é heterogêneo acima da tolerância, a amostra dele retirada não será representativa. O amostrador deverá estar atento para possíveis diferenças visuais entre as amostras simples, o que caracterizaria a heterogeneidade do lote.

A coleta de amostras de sementes, em qualquer das etapas, somente deve ser executada por pessoas treinadas e autorizadas, que saibam da responsabilidade e importância dessa operação, considerando:

- tipo de semente quanto a tamanho, forma e se tem tratamento químico ou revestimento;
- tipo de recipiente onde estão acondicionadas as sementes;
- acesso aos recipientes que compõem o lote;
- acesso às informações completas sobre o lote;
- dispor de instrumento(amostrador) apropriado para a amostragem;
- dispor de um divisor de amostras;
- dispor de embalagens para acondicionar as amostras.



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