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continuação: Os processos requerem cada vez mais ajuste fino


Duração do teste
As regras para análise de sementes indicam para o teste de germinação duas contagens para avaliação das plântulas normais. Tomemos como exemplo o teste de germinação de sementes de soja. A avaliação do teste é feita no quinto e oitavo dias. Se o teste iniciar em uma quarta-feira, a primeira avaliação será realizada na segunda-feira e a avaliação final na quinta-feira seguintes. Não há indicação do horário para realização destas avaliações, sendo as mesmas passíveis de serem realizadas às oito horas da manhã, como também às cinco horas da tarde do dia indicado.

Em testes de vigor, onde as sementes são submetidas a um estresse prévio, ou no qual se avalia a velocidade de crescimento das plântulas, esta variação de horas é inaceitável, pois as reações metabólicas ocorrem em um curto espaço de tempo, tendo reflexos na expressão do vigor das plântulas. Para o teste de envelhecimento acelerado, no qual as sementes são expostas à alta temperatura por 72 horas, a observância deste tempo é de fundamental importância para obtenção de resultados precisos, pois a redução ou o aumento no tempo de exposição terá reflexos em uma maior ou menor germinação das sementes, levando à obtenção de resultados não representativos. A observância rigorosa do tempo de exposição também é exigida para outros testes, como o de condutividade elétrica. Sementes deterioradas lixiviam mais e em menor tempo que sementes vigorosas. Normalmente, 16 horas de embebição são suficientes para que a lixiviação se complete. No entanto, sementes vigorosas terão completado a lixiviação somente após 24 horas de embebição. Assim sendo, cuidados especiais devem ser tomados quando da realização da condutividade elétrica para comparação da qualidade de lotes de sementes.

O tempo indicado para a realização do teste de condutividade é de 24 horas. Ao se fazer a medição da condutividade às 23 ou às 25 horas, os resultados obtidos não serão precisos, pois as sementes terão lixiviado menos ou mais do que a quantidade de eletrólitos detectada nas 24 horas. Com respeito a este teste, duas outras observações são importantes. Uma está relacionada com a temperatura e a outra com o número de amostras a serem testadas. A lixiviação de eletrólitos é maior em temperatura de 25ºC do que em 20ºC. Por isso, este teste deve ser realizado em ambiente com temperatura controlada. Não devemos testar um número excessivo de amostras, pois o tempo necessário para a medição pode levar à obtenção de resultados irreais, face ao prolongado período de embebição.

Luz
Existem diferenças entre espécies quanto a sensibilidade à luz para a germinação das sementes, as quais podem ser classificadas como fotoblásticas positivas (germinação estimulada pela luz) e fotoblásticas negativas (germinação inibida pela luz). As respostas fotoblásticas são dependentes do fitocromo, que ocorre basicamenete em duas formas interconvenientes: uma fisiologicamente inativa (Fv), com pico de absorção na faixa do vermelho extremo (660nm) e a outra forma ativa do fitocromo (Fve), com pico de absorção da faixa do vermelho extremo (±730nm). O balanço entre os comprimentos de onda vermelho e vermelho extremo no ambiente irá condicionar o fotoequilíbrio entre os fitocromos e, conseqüentemente, a germinação. Assim, podemos perceber que não basta oferecer ou não luz para as sementes durante o teste de germinação ou vigor. A qualidade da luz também é de extrema importância. Este fato também é observado na avaliação da qualidade sanitária de sementes, onde os fungos são detectados e identificados através das características de suas estruturas reprodutivas, as quais se formam na presença de luz ou no escuro. A maioria dos fungos deuteromicetos esporula na faixa de 320 a 400nm. Portanto, a identificação dos mesmos está condicionada ao oferecimento de luz. Não há um rigor muito grande quanto à observância do tempo de luminosidade, podendo haver variações de minutos para mais ou para menos. O importante é que seja observada a exigência da espécie em exame, quanto a sensibilidade ou não à luz e que, quando indicada, seja disponibilizada com a qualidade e quantidade necessárias para à obtenção de resultados representativos.

Dosagens de Produtos
Para a avaliação da qualidade das sementes, normalmente são empregados diferentes tipos de produtos químicos, como sais e ácidos, especialmente para à superar a dormência e obter uma germinação mais rápida e uniforme. A concentração destes produtos deve ser rigorosamente observada, pois qualquer erro na formulação da concentração indicada poderá causar a morte das sementes ou a não-superação de sua dormência, comprometendo a avaliação do teste. A escarificação ácida, empregada para a superação da dormência de algumas espécies de gramíneas, como também para a remoção do linter de sementes de algodão, é um exemplo de uma prática que deve ser realizada com muito cuidado. A exposição das sementes à concentrações muito altas ou à imersão por um período de tempo excessivo, invariavelmente, causará a morte das mesmas ou o surgimento de plântulas anormais, comprometendo a precisão do teste de germinação.

Equipamentos
Testes de germinação e de estresse de sementes são acentuadamente influenciados pela temperatura. Conseqüentemente, o equipamento que será utilizado para a condução do teste deve ser dotado de sistema de aquecimento e controle de temperatura que permita a obtenção e a manutenção da temperatura desejada, de modo que a oscilação da temperatura mantenha-se dentro de níveis aceitáveis. Se a metodologia de um determinado teste indica a exposição das sementes a uma temperatura de 30ºC, o equipamento deve ser capaz de atingir e manter esta temperatura constante durante todo o período de condução do teste. Esta temperatura não poderá ser 29ºC e nem 31ºC. Variações de temperatura durante a execução de um teste podem ser minimizadas com o controle da temperatura ambiente ou com o emprego de termostatos eletrônicos dotados de maior sensibilidade à variações térmicas. Também é importante que o laboratório confirme se a temperatura programada de um equipamento está correta. Para isso, devem ser realizadas aferições freqüentes, com a utilização de termômetros calibrados.

Assepsia
Os resultados de um teste no qual se avalia a capacidade de germinação de sementes é muito influenciado pela presença de microrganismos contaminantes, especialmente de fungos, sejam estes testes realizados em substrato de papel, solo ou areia. Dentre os fungos contaminantes, destaca-se a presença de Rhizopus spp. e Mucor spp., os quais podem estar localizados na sementes, especialmente em sementes velhas, como no próprio substrato. Em certos casos, o crescimento destes contaminantes é tão grande a ponto de impedir o desenvolvimento normal das plântulas. Numa situação como esta, deve-se identificar a fonte de contaminação e buscar alternativas. Caso o problema seja no substrato, deve-se repetir o teste, realizando previamente a esterilização do mesmo. A esterilização com o uso de temperatura elevada, associada a um alto grau de umidade, representa um dos métodos mais eficientes para a destruição de microrganismos. Igualmente, é importante a assepsia do ambiente de trabalho. Paredes, teto, mesas de trabalho, são adequadamente assépticas com solução de hipoclorito de sódio a 1%. Também não deve ser negligenciada a assepsia dos germinadores e câmaras empregadas na incubação das sementes. Esta operação pode ser realizada com o emprego de uma solução de fenol ou creosol, em concentrações de 2 a 5%. A ação microbiocida destes produtos está associada à temperatura e ao pH. De um modo geral em pH alcalino e em baixas temperaturas a ação destes produtos é menor. Para a assepsia de um germinador também podem ser utilizados produtos químicos gasosos, como o formol, sendo este o agente de esterilização mais empregado para esta finalidade. As paredes internas do germinador devem ser lavadas com uma solução de formalina a 4%, fechando-se em seguida a porta e ajustando a temperatura do germinador para 25ºC, deixando-se assim por uma noite. No dia seguinte, abre-se a porta do germinador e deixa-se o gás sair, para depois colocar o material a ser incubado. Detergentes, como o sabão, agem por remoção mecânica, reduzindo a tensão superficial e aumentando o poder umectante da água. Os microrganismos e partículas contaminantes aderem-se à espuma, sendo removidos com a água da lavagem. Por esta razão, os sabões, especialmente os sintéticos, são eficientes para a limpeza superficial de utensílios e equipamentos de uso laboratorial. Estes cuidados são importantes para evitar o desenvolvimento de fungos contaminantes e facilitar a avaliação das plântulas.

Experiência
A precisão dos resultados de uma análise depende também da habilidade do analista em conduzir e avaliar o teste. A capacidade de realização de uma análise está diretamente relacionada com o grau de treinamento do analista. O treinamento em serviço é importante para a obtenção de experiência. No entanto, a precisão necessária para a realização de análises laboratoriais é conseguida por meio de treinamentos específicos, realizados em instituições de reconhecida capacidade nacional e internacional. A participação em testes de referência e comparativos entre laboratórios é outro mecanismo que contribui para a formação dos laboratoristas e para a manutenção da excelência dos serviços prestados.

Sendo a qualidade um requisito essencialmente associado à competitividade de uma empresa e à excelência dos produtos por ela ofertados, esta não pode negligenciar etapas e processos fundamentais que devem ser conduzidos de forma precisa para ofertar aos seus clientes um produto ou serviço diferenciado dos demais. Assim, um laboratório de análise de sementes deve primar pela utilização correta dos métodos e equipamentos necessários para a condução das análises, devendo as mesmas ser realizadas por técnicos treinados e qualificados para este fim. Não se pode esquecer que quanto mais sensíveis forem os procedimentos de uma análise, maiores deverão ser os cuidados quanto à observância dos possíveis fatores envolvidos com a sua precisão.





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