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Reportagem de capa da última edição










 

Reportagem de capa - set/out 2004
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O Negócio Sementes no Paraguai
Dr. José Armando Paiva Aguero
Diretor DISE
japaiva@hotmail.com

Dr. Luís Enrique Arréllaga Acosta
Diretor do Grupo Espírito Santo
learrelaga@gesgolondrina.com.py







O Paraguai, país mediterrâneo com 406,7 mil km2, apresenta duas regiões com capacidades agroecológicas muito diferentes: a região ocidental, que ocupa cerca de 60% do país e cuja principal atividade é a pecuária, e a região oriental, onde se encontrava a maior parte dos bosques tropicais com madeira de alto valor comercial, que, a partir de 1945, foram dando lugar aos campos agro-pastoris desta região. Nessa última é produzida a quase totalidade dos cultivos agrícolas para consumo e para exportação.

O principal cultivo em termos de superfície é a soja, ainda que o algodão continue ocupando, econômica e socialmente, um lugar preponderante no país.


Área dos principais cultivos no Paraguai


Produção de sementes

A indústria de sementes nacional passou a apresentar um desenvolvimento mais expressivo a partir da década de 80, implementando-se normas de fiscalização da produção, inclusive com um sistema de certificação de qualidade por meio do uso de selos aplicados temporariamente pela Direção de Sementes, entre os anos 1991-92, sistema que voltou a ser implementado a partir de 1999, em um acordo entre o DISE e a Aprosemp. Este acordo levou a uma diminuição do comércio de "bolsa branca" e a uma grande melhoria na qualidade das sementes produzidas. O trabalho conjunto do setor público e privado, por sua vez, diminuiu a entrada de sementes de países vizinhos sem a devida autorização e fiscalização.

Atualmente, a produção nacional de sementes supre 35% das necessidades dos principais cultivos.

Cifras do comércio de sementes

Na década passada, o uso de sementes próprias chegava a 50% do total utilizado pelos agricultores, sendo os outros 50% repartidos igualmente entre a produção interna e a importação.

Através do esforço do setor, essa situação foi revertida, sendo que atualmente estamos superando amplamente às sementes importadas. Porém, isso não deve fazer com que nos acomodemos, já que ainda existe uma fração importante de sementes de diferentes espécies com déficit de provisão. O valor estimado das importações de sementes chega a US$ 13,9 milhões anuais, soma essa que poderia formar parte do PIB nacional.

O valor do produto dos "sementeiros" nacionais alcança 24,4 milhões de dólares, enquanto o valor total do que é semeado gira em torno de 70 milhões de dólares.

Desafios para a indústria de sementes nacional

*Autosuficiência - Deve constituir-se num dos principais objetivos, tanto para os produtores como para o setor governamental, fazer com que a produção de sementes a ser utilizada para semeadura seja obtida internamente, principalmente para aqueles cultivos em que contamos com tecnologia, capacidade de produção e competitividade.
*Elevar o nível de penetração da semente fiscalizada.
*Regularização da semente geneticamente modificada (GM). O ingresso das sementes de soja transgênicas (soja RR), que atualmente estima-se ocupar 60-70% da superfície ocupada com soja, levou a uma drástica redução no comércio de sementes, uma vez que aumentou a produção própria.
*Enfatizar a produção para exportação daqueles cultivos nos quais temos qualidade e competitividade.
*Facilitar o comércio entre os países da região. Atualmente, o comércio fluído dos países vizinhos para o nosso país não tem encontrado reciprocidade. O Mercosul deve funcionar em uma "via de mão dupla" para os sócios da região.

Sementes GMs

Devemos reconhecer que, devido à facilidade de introdução ilegal de produtos em nosso país, com a semente GM não foi diferente, particularmente com a soja. As primeiras sojas biotecnológicas (soja RR) introduzidas no Paraguai vieram da Argentina. Variedades não adaptadas às nossas condições foram cultivadas com pouco sucesso; porém, o constante ingresso de novos materiais genéticos que estavam sendo liberados no mercado do país vizinho, com características mais adequadas a nossas latitudes, permitiu que o agricultor paraguaio identificasse materiais de alta produtividade, que, no entanto, ainda são produzidos na ilegalidade.

No Paraguai, os produtores e comerciantes de sementes consideramos inadequada a situação a que nos submetem os organismos governamentais em razão do não reconhecimento de uma tecnologia que já está inserida em nosso país e é utilizada por uma grande parte dos agricultores. Não podemos continuar sendo o país onde a ilegalidade esteja institucionalizada. Ao liberar-se a soja RR, entrará em vigor a lei de sementes que prevê estas situações e deverão ser "legalizadas" as variedades que estão sendo utilizadas no mercado, que não estão registradas e que têm "seus proprietários" intelectuais.



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