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Reportagem de capa - jul/ago 2004
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Simpósio de Sementes da ISTA projeta futuro da produção
John Hampton
Lincoln University - Nova Zelândia
hamptonj@lincoln.ac.nz





A diversidade da pesquisa que está sendo conduzida em ciência e tecnologia de sementes é verdadeiramente impressionante, sendo a apresentação dos trabalhados realizados nessa área um componente valioso do Simpósio de Sementes da ISTA - a Associação Internacional de Análise de Sementes.


O Simpósio de Sementes da ISTA (International Seed Testing Association) de 2004, realizado em Budapeste, Hungria, no mês de maio último, teve como tema: "Rumo ao futuro na produção, avaliação e melhoramento de sementes". Os trabalhos foram divididos nas sete áreas seguintes:

*Aplicação de Tecnologias Avançadas
*Produção de Sementes Orgânica e Convencional
*Viabilidade e Vigor: Avaliação e Impacto
*Sistemas de Sementes em Economias Emergentes e em Desenvolvimento
*Limpeza de Lotes de Sementes
*Melhoramento de Sementes
*Bases Fisiológicas da Qualidade de Sementes

Dos pôsteres apresentados, aproximadamente 35% foram incluídos na seção sobre Viabilidade e Vigor, 5% em Sistemas de Sementes, e os remanescentes 60% divididos igualmente entre os outros cinco temas. Os autores vieram principalmente da Europa (40%), América do Sul (25%) e Ásia (25%), com a América do Norte, África e Austrália-Ásia tendo apenas alguns poucos participantes dessa vez. Tomando-se por país, houve a predominância do Brasil, o que permite projetar: se cerca de 50 trabalhos vieram do Brasil para um congresso na Hungria, imagine quantos serão apresentados no Congresso de 2007, no Brasil? O coordenador do Simpósio de Sementes terá uma agradável dor de cabeça.

Para terminar com as estatísticas, milho foi a espécie mais freqüentemente relatada, seguida de perto pela soja. Cereais outros, além de milho, representaram o maior grupo coletivo, seguido por sementes de oleaginosas e de hortaliças. Contudo, é interessante observar que cerca de 12% de todos os trabalhos tratavam de espécies de árvores e arbustos, e que um número pequeno de estudos em sementes de flores foi relatado. É isso um indicador do "rumo ao futuro" para espécies na pesquisa em sementes?

O que então nos foi dito sobre o "futuro na produção de sementes"? Obviamente, sistemas orgânicos são agora parte deste futuro. Ouvimos sobre os desafios para a produção de sementes de qualidade, sendo estes desafios principalmente relativos à limpeza do cultivo (controle de invasoras e de fitopatógenos). Foram discutidos tratamentos de sementes para o controle de patógenos associados às sementes nos sistemas de produção orgânica, incluindo o uso de calor (água quente ou vapor), produtos botânicos (extratos vegetais) e micro-ondas.

Contudo, a utilização de bio-protetores como tratamento de sementes, que tem sido atualmente objeto de muitas pesquisas no mundo inteiro, quase não foi mencionada. Teria sido devido ao fato de existir muita sensibilidade comercial a respeito desses tipos de resultados? Suspeito que sim.

Será possível produzir sementes de alta qualidade sob sistemas orgânicos? - a resposta é "sim", eventualmente. A presença de sementes orgânicas vai apresentar novas exigências para a análise de sementes? - a resposta é "não". Os métodos de análise não dependem de um lote ter sido produzido sob um sistema orgânico ou convencional.

Qual então o futuro para a produção de sementes convencional, onde o objetivo é também produzir sementes de alta qualidade? De todos os trabalhos sobre produção de sementes apresentados nesse Congresso, na minha opinião, os mais significantes foram aqueles nos quais foram relatados os efeitos do ambiente durante a maturação das sementes sobre sua qualidade.

Minhas razões para isso são as seguintes: para a produção comercial de sementes, experimentos envolvendo o manejo agronômico, controle de pragas, épocas e métodos de colheita, e secagem são "o presente"; os resultados são importantes, mas os métodos são, em muitos casos, a "sintonia fina" ou a aplicação de princípios conhecidos em novas espécies. Eles não são "o futuro".

Acredito que o futuro está em ser capaz de entender como o meio ambiente afeta a qualidade das sementes e em evitar produzir sementes em ambientes que causam deterioração das mesmas. Ambientes que permitem altos rendimentos de sementes não necessariamente permitem também a produção de sementes de alta qualidade; determinar o ambiente correto pode ainda nos possibilitar produzir consistentemente lotes de sementes de alto vigor!

A segunda parte do tema do simpósio era "O futuro na avaliação da qualidade de sementes". Três aspectos dessa parte do evento impressionaram-me. O primeiro deles foi o de que, entre todos os trabalhos apresentados, menos de 50 abordaram algum aspecto da análise da qualidade das sementes e quase metade destes envolveu testes de vigor! O segundo foi o de esforços estarem sendo direcionados para aumentar o número de espécies para os quais testes de vigor, como o de envelhecimento acelerado, condutividade e deterioração controlada, possam ser utilizados. O terceiro foi o uso de métodos de análise estabelecidos há muito tempo para determinar a qualidade de sementes de espécies que não estão atualmente nas Regras para Análise da ISTA.



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