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Reportagem de capa
continuação: Tecnologia de Semeadura: Cuidados e Desafios
Formação de estandes
De acordo com o RT da Hadler e Hasse"Investir no conhecimento dos colaboradores e tecnologia em máquinas e insumos são aspectos importantes, mas um bom estande tem início desde a escolha da área e sistema de cultivo até o tamanho da semente, profundidade de semeadura, características de operação e velocidade de semeadura. O conhecimento climatológico e previsões locais repercutem na tomada de decisão em termos de profundidade de semeadura, solubilidade de fertilizantes, escolha de cultivares, etc".
Escolha de sementes de alta qualidade fisiológica e sanitária, semeadura em condições ideais de umidade e temperatura e em solo bem preparado, maquinário adequado e utilização, quando necessário, de inseticidas e fungicidas para o controle de pragas iniciais e fungos de solo são fatores alinhados pelos responsáveis técnicos das outras duas empresas.
"Para melhorar a eficiência na semeadura devemos utilizar sementes com ótima classificação, usando o disco adequado para a peneira usada, evitando as sementes duplas. Já os espaços vazios são minimizados com a utilização de sementes de alta qualidade fisiológica", apregoa Airton de Jesus, da Agropastoril Jotabasso. Os três técnicos preferem a semeadura diurna, que permite um controle maior na qualidade do serviço executado. Estandes malformados podem ocorrer onde se utiliza plantadeiras que deixam o sulco de plantio aberto e ocorrer chuva logo após o plantio, formando-se uma crosta que impede a germinação da semente - admite o RT Edmar Dantas. Ele afirma que outro problema é realizar o plantio em áreas com palha, onde a semente fica em contato com esta dentro do sulco, impedida de absorver água e de desencadear o processo de germinação. A semeadura em solos com pouca umidade também torna a germinação irregular.
Segundo a Agro-Sol Sementes, no caso de germinação deficiente por problemas de vigor, pode ser recomendável o replantio. "Do contrário, o resultado serão plantas fracas e desuniformes, afetando diretamente na produtividade", observa José Francisco.
Na experiência da Hadler & Hasse, os problemas de estandes malformados ocorriam na época em que se empregava a semeadura a lanço em que as sementes eram encobertas com profundidades variáveis.
Aproveitamento de lavoura
Em termos de aproveitamento de área agricultável, para que não ocorram espaços sem semear e outros com sobre-semeadura, Germano Hadler diz que sua empresa utiliza-se de artifícios topográficos para locação de pontos de trilha e carga. "As estradas e canais de irrigação e drenagem são estrategicamente plotados para melhor uso em menor espaço cultivável. Não utilizamos GPS para semeadura, mas por não semearmos à noite a marcação das faixas das máquinas fica bem nítida", explica.
A Agropastoril Jotabasso igualmente não utiliza o sistema global de posicionamento em suas semeadoras, mas sim marcadores de linhas. "Praticamente todos os espaços da lavoura são cobertos, ocorrendo sobre-semeadura nas bordaduras e nos arremates próximos às curvas de nível", informa Airton de Jesus.
 Airton Francisco de Jesus - Gerente Técnico e Edmar Lopes Dantas - RT - Agropastoril Jota Basso comercial@jotabasso.com.br
O GPS é empregado pela Agro-Sol na sistematização dos talhões, de acordo com as dimensões do maquinário, eliminando cantos e bicos. Esta tecnologia também é usada no momento do plantio, para abrir as faixas certas de semeadura, de forma a evitar a sobre-semeadura em algumas linhas. "Um fator importante é que se trabalhe com todos equipamentos iguais, principalmente semeadoras", opina José Francisco.
Diferenças entre espécies
"Dentre suas necessidades, cada espécie tem suas características, sendo algumas fáceis, outras difíceis, mas o segredo é utilizar-se do melhor sistema de cultivo para aquela espécie, na área determinada, com o melhor maquinário e, evidentemente, com a melhor semente. O resto depende da competência do RT e de seus colaboradores", resume Germano Hadler.
Para o RT da Agro-Sol, não existe, de forma geral, uma espécie mais difícil e sim algumas que exigem mais atenção, como é o caso da semente de arroz, devido à sua dimensão e formato e ao uso de alta população por metro linear. "Se a semente ficar muito enterrada, a plântula precisará gastar muita energia para romper o solo, e se ficar na superfície receberá muita influência do ambiente, prejudicando o processo de germinação", justifica José Francisco.
"A lavoura mais difícil de semear é o algodão, porque a semente possui pouca reserva, não devendo ser plantada a profundidade maior que 3mm, já que qualquer formação de crosta dificulta a emergência", opina Airton de Jesus, da Jotabasso.
Capacitação de Recursos Humanos
Segundo a Hadler & Hasse, esse é um item fundamental para quem deseja qualidade em suas operações: "Investimento em conhecimentos tecnológicos passam pelo RT e se estendem ao operador da semeadora, os quais devem falar a mesma linguagem para que o proveito seja máximo, tanto de maquinário quanto na utilização da área, insumos, fertilizantes, cultivares, etc".
Na Jotabasso, os operadores de máquinas também recebem treinamentos específicos para o plantio, conhecendo a máquina e seu funcionamento. Airton Francisco destaca também os treinamentos sobre segurança do trabalho, lembrando que a empresa disponibiliza aos operadores os equipamentos necessários e que todo o trabalho é acompanhado por um técnico de segurança contratado pela empresa.
"Hoje em dia, todas as máquinas e implementos envolvidos no processo de semeadura empregam alta tecnologia, o que exige a capacitação dos operadores e a noção exata da importância deste processo", observa o RT da Agro-Sol Sementes.
 Dinâmica de Semeadura no evento AgriShow Cerrado
Conclusões
Jotabasso - "Quando se obtém um bom estande na época mais indicada para a cultivar plantada, a mesma irá expressar o máximo de seu potencial genético, resultando na mais alta produtividade. Nossa empresa está dimensionada com o parque de máquinas para que a semeadura seja realizada dentro da época mais indicada para cada cultivar, pois tanto a antecipação como o retardamento de plantio afetam diretamente a produtividade. O mesmo raciocínio serve para a colheita, onde nosso sistema está dimensionado para que se colha o mais rápido possível, pois aprendemos com os nossos professores, nas universidades, que semente se faz no campo."
Agro-Sol - "Cada vez mais os cultivares estão regionalizados ou micro-regionalizados. Daí, então, vem a importância de se ter um bom estande e observar a época certa de semeadura de um determinado cultivar. O sucesso da lavoura só será obtido se acertarmos o processo de semeadura e, para que isto ocorra, é indispensável o uso de sementes com origem, ou seja, sementes certificadas ou fiscalizadas, com a garantia de qualidade descrita nos boletins de análise. Com o uso de sementes ditas 'salvas' ou 'bolsa branca' estaremos sempre fadados ao fracasso deste processo e sem nenhuma garantia de qualidade".
Hadler & Hasse - "Atualmente, devido as novas indicações para a cultura do arroz irrigado, a entrada d'água na lavoura deve ser realizada no máximo em 15 dias pós-emergência. Portanto, quanto melhor e mais vigoroso o estande, mais rápida a entrada de água, dinamizando, em conseqüência, a cultura, em termos vegetativos e de práticas culturais.
Para ao adoção destas técnicas é necessário o uso de semente de boas cultivares recomendadas, com alto poder germinativo e vigor. Em termos regionais diz-se que a pior lavoura do cedo (de outubro) é melhor que a melhor lavoura da semeadura tardia (de dezembro). Ter um bom estande é o passo inicial para se ter uma boa lavoura; evidentemente, várias outras práticas são necessárias para a realização do objetivo final. Quem parte dessa premissa, tem uma grande chance de uma safra vitoriosa."
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