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Reportagem de capa - maio/jun 2004
Tecnologia de Semeadura: Cuidados e Desafios
A VISÃO DE TRÊS EMPRESAS
Certamente, boa parte do êxito de uma cultura depende da rapidez e uniformidade do estabelecimento da população de plantas desejada, que por sua vez estão diretamente associadas ao processo de semeadura. Fatores como a época de semeadura adequada, umidade do solo e temperatura, preparo do solo, espaçamento e densidade de semeadura, adubação, profundidade de semeadura, associados à qualidade da semente, são decisivos para êxito dos resultados.
Ao voltarmos a este importante tema, decidimos ouvir as experiências de três empresas do ramo agrícola nacional: a Hadler & Hasse, através de seu responsável técnico (RT), Germano Hadler; a Agro-Sol Sementes, representada pelo RT José Francisco Vieira Martins; e a Agropastoril Jotabasso, na palavra dos responsáveis técnicos Airton Francisco de Jesus e Edmar Lopes Dantas.
Localizada no município de Campo Verde - MT, a Agro-Sol Sementes cultiva uma área de 5.000 ha de soja, 300 ha de arroz destinados à produção de sementes e 2.100 ha de algodão, 200 ha dos quais para produção de sementes e o restante para produção de fibra. A empresa entrou no mercado de produção e comercialização de sementes a partir da safra 1999/2000.
Já a Jotabasso, sediada em Ponta Porã, também no estado do Mato Grosso, irá cultivar no presente ano agrícola 26.600 ha com soja, algodão, milho, feijão, trigo, triticale e aveia. Outras atividades ligadas a empresa são o confinamento de bovinos e um projeto de integração agricultura-pecuária.
A empresa Hadler & Hasse está situada em Pelotas,RS. O arroz irrigado, com 3.000 ha cultivados anualmente constitui a cultura mais expressiva, sendo que 500 ha são destinados à soja, 200 ha ao sorgo, 400 ha ao azevém e 20 ha ao trevo branco.
Época e modos de preparação
Com respeito à forma e época em que à empresa começa a preparar-se para a semeadura, para não perder o melhor momento, José Francisco Martins, da Agro-Sol, informa que, normalmente, a empresa começa a preparar-se antes mesmo do término da última safra, pois é necessário planejar os tratos culturais de pós-colheita (manejo de controle de ervas, aplicação de calcário, plantio de culturas como milheto ou sorgo, que servem como protetor e/ou melhorador das características físicas e químicas do solo na entressafra). É também realizado o mapeamento dos talhões, com base nos resultados da última safra. "Assim, é possível escolher a melhor cultura e variedade a ser plantada em cada área", justifica.
Na Hadler & Hasse, segundo Germano Hadler, nas áreas de plantio direto e cultivo mínimo, os preparos iniciam-se no ano anterior, pelo menos com dez meses de antecedência. Quando em áreas de repetição, os preparativos começam durante a colheita anterior, ou imediatamente após a colheita.
"A empresa começa a organizar o plantio, primeiramente realizando um plano de produção, com envolvimento da área técnica, tão logo sejam definidas as áreas e as culturas a serem plantadas, pelos executivos da empresa", revela Airton de Jesus, da Jotabasso. "Neste planejamento são definidas as cultivares, as áreas destinadas a cada cultivar, o cronograma de plantio (como produzimos semente há o escalonamento de áreas e época de plantio para reduzir riscos de produção), adubação, controle de pragas, ervas daninhas e doenças", informa. Ele lembra que também são previamente dimensionados as máquinas para plantio e colheita, os recursos humanos para cada operação e realizados os treinamentos necessários.
 Germano Hadler - RT - Hadler e Hasse germano@hadlerhasse.com.br
Sistemas de cultivo
Na experiência da Hadler & Hasse e da Jotabasso, prevalece o sistema de Plantio Direto, que, no entanto, requer maiores cuidados: "Apesar da facilidade e antecipação de seus manejos, trabalhamos em cima de prazos que devem ser cumpridos, seja na aplicação dos herbicidas ou na semeadura em si. Uma vez iniciado a semeadura, seu sucesso depende do cumprimento à risca dos prazos", observa Hadler. Sua empresa utiliza também o Cultivo Mínimo,(CM) o Preparo Convencional (PC) e o Preparo com água (variação do sistema pré-germinado). Já a Jotabasso utiliza o Plantio Direto (PD) em toda a área cultivada. Edmar Dantas, da Jotabasso, destaca que esse sistema requer cuidados especiais como manutenção de palha na superfície do solo, transitar máquinas em condições adequadas de umidade do solo para reduzir problemas de compactação, correção de acidez e alumínio tóxico, entre outros cuidados.
A Agro-Sol Sementes utiliza o Plantio Direto para a cultura da soja. Para o algodão, é empregado o Sistema Mínimo e Convencional, porque para esta cultura há algumas normas obrigatórias, estabelecidas pelos órgãos oficiais, como a destruição de soqueiras, que em sua maioria se dá através de processos mecânicos com o uso de grades. "Aqui para o Mato Grosso, onde as precipitações são bem localizadas, o Sistema Convencional é o que requer maiores cuidados, pois o solo 'solto' com um perfil profundo é muito suscetível à ocorrência de erosões causadas pelas chuvas", avalia José Francisco.
Classificação de sementes
Hadler & Hasse e Jotabasso são unânimes em destacar que o processo de semeadura é aperfeiçoado com a utilização de sementes classificadas. A primeira utiliza peletização em trevo com corante, além de tratamento e inoculação em soja. A segunda emprega sementes tratadas com fungicidas, micronutrientes e inoculantes. Já para a Agro-Sol, por utilizar somente semeadoras a vácuo, que semeiam grão a grão, a classificação de sementes não é tão relevante. O grafite é considerado importante para facilitar o fluxo de sementes nos depósitos de plantio.
Densidade de semeadura
Na Agro-Sol Sementes, a densidade de semeadura é determinada, quase que exclusivamente, pela cultivar e varia em função da percentagem de germinação realizada no solo e do vigor da semente. O mesmo acontece na visão da Agropastoril Jotabasso, que afirma ser importante ter em conta as características da cultivar, a população recomendada, a época de semeadura e o nível de fertilidade do solo onde ocorrerá a semeadura.
No caso de arroz irrigado, a densidade de semeadura está relacionada à variação da quantidade de taipas na lavoura. Segundo o RT da Hadler & Hasse, ela é, então, diretamente proporcional à topografia do terreno, uma vez que a regulagem utilizada nas lavouras independe do poder germinativo, pois a empresa usa sementes com vigor e PG, e tem como meta o emprego de 125 kg/ha. Germano Hadler observa que, quanto maior o número de taipas necessárias à área, mais sementes serão necessárias. "Enquanto que a quantidade a ser usada numa área plana é bem menor, em PD e CM essa variação é minimizada, pois a semeadura é realizada sobre as taipas", acrescenta.
A correção da densidade de semeadura baseia-se, primeiramente, no vigor da semente por ocasião do plantio e depois na avaliação dos dados de germinação. "Se um lote de sementes estiver com alta germinação, e com um vigor considerável e homogêneo, essa correção se torna menos problemática, pois basta semear bem. Já se o vigor for baixo e a germinação razoável, com certeza, nem todas as sementes que germinarem vão originar uma plântula perfeita, causando estandes irregulares", pondera o RT da Agro-Sol.
 José Francisco Vieira Martins - RT - Agro-Sol Sementes Jose.francisco@grupoagro-sol.com.br
Ajustes da semeadora
Segundo José Francisco Martins, vários fatores devem ser observados para se obter um bom plantio, no que se refere ao ajuste da semeadora. Primeiramente ele cita a perfeita regulagem das engrenagens, responsáveis pela distribuição das sementes, e dos discos, encarregados da abertura do sulco onde as mesmas cairão, a fim de obter-se o estande desejado e a profundidade ideal em que as sementes serão dispostas no solo. "Também temos as regulagens de adubo, tanto na quantidade que se quer por hectare como na profundidade de distribuição no solo e sua localização (abaixo ou ao lado da semente a uma profundidade em torno de 10 cm). Por último, temos a regulagem dos carrinhos ou rolos compactadores, responsáveis pelo fechamento e uma leve compactação do sulco onde caiu a semente, eliminando prováveis 'bolsas de ar' que prejudicariam o processo de germinação", explica.
Todas as regulagens estão diretamente ligadas às condições de solo, como estrutura física, tipo de cobertura e sistema de plantio, sendo necessárias mudanças na troca de uma área para outra de configuração diferente. Um ajuste inicial pode ser feito ainda nas oficinas, mas é em nível de campo que ocorrem as principais regulagens da semeadora, onde são aferidos sistema de corte a ser utilizado, sistema de cobertura da semente, sistema de distribuição, etc, sendo necessárias aferições periódicas.
"Fazemos a regulagem das máquinas baseados em 90% de PG e 125kg/ha de densidade em arroz. Em soja, utilizamos os discos correspondentes ao diâmetro da semente. Nas outras culturas calculamos a densidade em função do seu PG, corrigindo para 100%", revela Hadler.
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