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Reportagem de capa - mar/abr 2003
Embalagem para Sementes
Prof. Silmar Peske
PhD em Sementes
peske@ufpel.tche.br
As sementes fazem parte de um tipo de negócio em que poucos as produzem e muitos as utilizam.
Assim, para transportar do local de produção para o de utilização, é necessário que as sementes estejam devidamente embaladas e identificadas.
Na embalagem vai a identificação das sementes, constando, entre outras características, o nome do produtor, a espécie, a cultivar e/ou híbrido, o peso e qualidade física e fisiológica. As sementes também são colocadas em embalagem para separá-las em lotes, facilitando sua identificação e individualização.
Por definição, um lote é constituído por sementes com atributos de qualidade similares, o que é muito importante porque possibilita que a amostragem realmente represente o lote inteiro de sementes.
Tipos de embalagem
As embalagens possuem várias funções e devem atender a objetivos específicos como: resistência ao transporte; porosidade ou impermeabilidade; flexibilidade ou rigidez; durabilidade e possibilidade de reutilização; facilidade de impressão; transparência ou opacidade; e resistência a insetos e roedores.
Pode-se dividir as embalagens em permeáveis, semi-permeáveis e impermeáveis, em função das trocas de umidade que podem ocorrer entre as sementes e o ambiente em que elas estão. Como embalagens permeáveis têm-se as de papel, juta, algodão e plástico trançado. Todas essas embalagens permitem livremente as trocas de umidade, o que quer dizer que se a semente estiver seca e o ambiente úmido, em pouco tempo a semente também estará úmida.
A utilização de uma ou outra embalagem irá depender basicamente do profissionalismo do produtor de sementes e do preço da embalagem. Atualmente, a embalagem de plástico trançado é a mais barata e possibilita o segundo ou terceiro uso, ou seja, o agricultor que comprar a semente poderá utilizá-la para outros propósitos em sua propriedade. Possui o inconveniente da má apresentação e ser de difícil manuseio (são comuns pilhas mal formadas).
As embalagens de papel possuem boa apresentação e são de fácil manuseio; o inconveniente é que não permitem um segundo uso. Entretanto, o que se compra é a semente, não a embalagem. E, na realidade, a semente merece um tratamento especial por tudo que ela representa.
As embalagens impermeáveis mais comuns são as de lata, em que realmente as trocas de umidade são nulas, porém são inconvenientes para pequenas quantidades de sementes. As embalagens aluminizadas são bastante práticas para pequenas quantidades de sementes, possuindo o inconveniente de romperem-se com certa facilidade. As embalagens de plástico, em geral, não são 100% impermeáveis, entretanto, para armazenamentos de até dois anos, cumprem bem sua função.
Enfatiza-se que mesmo uma embalagem impermeável, uma vez aberta, torna-se permeável. Isto significa que comprar semente de lata que foi aberta é expor-se ao perigo de ter uma semente de baixa qualidade.
Tamanho da embalagem
Por muitos anos o tamanho da embalagem era determinado principalmente pelo peso que uma pessoa poderia carregar, pois o processo de empilhamento e o abastecimento da semeadora era praticamente todo realizado de forma manual. Assim, no Brasil, convencionou-se que um saco de sementes de soja, arroz e trigo era de 50 kg.

Atualmente, o peso da embalagem para algumas espécies é função do número de sementes. Exemplo: milho 60.000 sementes = 19,32 Kg
Atualmente, com o avanço das técnicas de marketing, as sementes de soja, trigo e arroz, são comercializadas em embalagens que vão de 20 a 50kg. A disponibilidade de embalagens com menor peso possibilita que pequenos agricultores possam comprar quantidades reduzidas de sementes em embalagens fechadas. Como a semeadura é realizada levando-se em conta o número de sementes por metro linear e não por peso, essa mudança na embalagem está possibilitando também que o agricultor compre sua semente por unidade e não por peso. É possível determinar-se em dois sacos de sementes de soja, cada um com 40 kg, um possa possuir 360 000 sementes e o outro 240 000, demonstrando assim a importância de comprar as sementes por unidade. Para facilitar esse procedimento, a indústria brasileira de sementes está classificando as sementes de soja em três tamanhos.
Em algumas espécies, como o milho, o tamanho da embalagem era determinado em função do peso médio necessário para semear um hectare, ou seja, 20 kg. Atualmente, estão sendo utilizadas embalagens contendo ao redor de 20kg, variando de 17 a 22 kg. O avanço foi o número de sementes por embalagem, convencionado em 60 000. Na prática, isso quer dizer que uma embalagem de 17 kg possui sementes de menor tamanho que uma de 22 kg.
A utilização de embalagens com determinado número de sementes, realmente, veio em boa hora, inclusive para proteger o produtor, pois o número de sementes dentro de uma embalagem não muda, enquanto o peso pode mudar conforme a umidade relativa do ar no local em que a semente se encontra armazenada.
As embalagens para sementes de hortaliças são determinadas em função do seu preço. Além de pequenas, estas devem ser impermeáveis à água, pois as sementes são secas a graus de umidade inferiores a 7% para aumentar seu potencial de armazenamento, e as embalagens impermeáveis evitam que as sementes voltem a absorver água do ambiente.
Custo e Manuseio
Entre as iniciativas bem sucedidas para baixar o custo e ajudar os grandes produtores no manuseio do material, está a utilização do transporte das sementes a granel. Como a abertura de 500 sacos para distribuir as sementes no depósito da semeadora, não é uma tarefa muito leve, começou-se a adotar embalagens com alta capacidade, como sacos ou caixas de 500 kg a 1000 kg. De acordo com o tamanho da embalagem, pode-se considerar, para fins práticos, que a semente está sendo manuseada a granel. Até o momento, no Brasil, essa embalagem é utilizada principalmente nas unidades de beneficiamento de sementes para armazenamento regulador de fluxo. A adoção dessas embalagens de até uma tonelada, também possui a vantagem de possibilitar uma melhor separação das sementes em lotes, além do manuseio a granel ter um menor custo. Por outro lado, o ensaque tradicional envolve muita mão-de-obra, além do custo da sacaria em si. O manuseio a granel nessas grandes embalagens economiza a mão-de-obra, tanto no ensaque como na abertura da embalagem. Ainda em termos de custo, há relatos de economia de US$1,00/50 kg de semente.
Esse avanço no manuseio das sementes a granel ainda está sendo aperfeiçoado, assim como os recipientes em si. Os aperfeiçoamentos seriam: 1- possibilidade de segundo uso sem risco de misturas varietais,2- forma para empilhamento, e 3- o controle externo de qualidade entre outros. Esse processo faz com que a semente siga diretamente do produtor de sementes para o agricultor, sem passar por intermediários.
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