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Reportagem de capa da última edição










 

Cultura do milho - set/out 2002

Espaçamento e População de Plantas
Eng. Agr. Claudio Peixoto
Pioneer Sementes
claudio.peixoto@pioneer.com



Os programas de melhoramento genético têm promovido alterações importantes nas características agronômicas do milho. Os híbridos de hoje apresentam maior capacidade de resposta ao uso de tecnologia, melhor adaptação aos diferentes tipos de solo e de clima, maior tolerância às doenças, melhor qualidade de grãos, melhor arquitetura de plantas e menores índices de acamamento e quebramento, além de outras.

Dentro do conceito de que a produtividade é a resultante da interação entre o híbrido, o ambiente e o manejo, onde como meta se procura submeter um determinado híbrido ao menor estresse possível, esse conjunto de modificações que a cultura do milho vem sofrendo nessa última década, principalmente, sugere mudanças também nas práticas de manejo, visando um maior aproveitamento dessas características.

Se fizéssemos uma retrospectiva da cultura do milho no Brasil, pode-ríamos constatar que algumas práticas de manejo evoluíram substancialmente e, com certeza, contribuíram para o aumento de produtividade.

Entretanto, algumas práticas, como a população de plantas e espaçamento entre linhas, ficaram estagnadas. Até pouco tempo, ainda era possível encontrar lavouras com espaçamento de 1,0 metro e com populações de plantas menores do que 40.000 pl/ha.

Totalmente inverso do que acontece no Brasil, nos Estados Unidos, onde a cultura do milho é conduzida com altíssima tecnologia, a redução do espaçamento combinada com o aumento da população de plantas já é prática rotineira e é, sem dúvida, uma das responsáveis pelos altos níveis de produtividade alcançados.

Assim, com base no crescimento tecnológico que a cultura do milho conquistou no Brasil, uma parcela significativa dos produtores brasileiros vem alcançando média acima de 9.000 kg/ha, igualando-se aos melhores produtores americanos.

Diagnóstico e planejamento da propriedade
O produtor deve fazer um diagnóstico e um planejamento antes de realizar mudanças.

É importante que ele faça um diagnóstico dos problemas existentes na propriedade. O produtor deve possuir em mãos os dados necessários para possibilitar a interpretação de quais foram as razões da baixa produtividade ou mostrem os caminhos para aumentá-la. A redução de espaçamento, com o aumento da população de plantas, não pode ser considerada uma prática milagrosa.

Como em qualquer atividade, na agricultura não se pode investir sem prévio diagnóstico que aponte com uma elevada margem de segurança sobre o que está influenciando os resultados da lavoura. Toda mudança de tecnologia tem custos, e devem ser pesados.






Vantagens da interação da redução do espaçamento com o aumento da população de plantas
A primeira grande vantagem é o aumento da produtividade dos híbridos-O aumentado da produtividade dos híbridos, independente do híbrido e ambiente.

Maior estabilidade da produtividade - A cultura do milho possui reduzida capacidade de compensar a baixa população de plantas. A capacidade de uma espiga aumentar em número de fileiras e no número de grãos por fileira em reduzidas populações de plantas é baixa. Lavouras com espaçamentos reduzidos e populações de plantas maiores tendem a apresentar produtividade maior e mais estável. Em parte, isso é assegurado pela melhor qualidade de semeadura, pois, com o espaçamento reduzido a quantidade de sementes a ser distribuída por metro linear é menor, portanto, com menor margem de erro. Além disso, caso ocorra uma falha de queda da semente na linha de plantio esse efeito é minimizado pelo menor espaçamento.

Maximizar a utilização de plantadeiras- Produtores plantam - além do milho - também soja e, até mesmo, o algodão. Assim, plantar diferentes culturas com o mesmo espaçamento é uma prática vantajosa por ganhar tempo. Cobrir o solo mais rapidamente - A cobertura mais rápida do solo, impedindo a penetração dos raios solares, traz inúmeras vantagens: uma maior supressão de plantas daninhas; maior absorção de luz pelas folhas e maior retenção de água no solo.

Análise econômica
O produtor deverá ser orientado, pois ele terá que fazer investimentos caso venha adotar essas práticas. A redução do espaçamento exigirá, automaticamente, a aquisição de uma plataforma de milho que permita colher com esse espaçamento reduzido. Já o aumento da população de plantas inevitavelmente fará com que ele consuma mais sementes por área. Supondo que o preço de uma plataforma de milho esteja ao redor de R$ 40.000,00 e que esse produtor plante cerca de 150 ha de milho e considerando uma amortização em 8 anos, ele deverá saber que estará incorporando em seus custos por ano/ha cerca de R$ 2,38 sacas de milho/ha/ano, o que é viável economicamente. Supondo que o produtor vá aumentar a população de plantas em 10.000 pl/ha, por exemplo e, considerando um preço médio de R$ 120,00 a saca de 60.000 sementes, o produtor estará incorporando nos seus custos por ha/ano cerca de R$ 1,42/ha. Veja as tabelas de cálculos no texto. O total gasto com investimentos por ha/ano - somando-se a aquisição de uma plataforma e o aumento do consumo de sementes - totaliza 3,8 sacas de milho comercial por ha/ano. Esse número é compatível com os ganhos médios de produtividade alcançados, conforme poderemos constatar. Supondo que o produtor com a adoção dessas práticas, isto é, redução de espaça-mento e aumento de população, alcance um aumento de produtividade médio de 8%, ele obterá um retorno sobre o investimento feito conforme o seu nível de produtividade.



Número de plantas por metro e distância entre sulcos determinam a população de plantas/HA


Resultados da interação
Em trabalhos realizados pela Pioneer durante o período de 1997 a 2002, com diferentes híbridos, locais e condições ambientais, a interação apresentou os seguintes resultados:

*Independente da população de plantas, dos híbridos e do ano, a produtividade alcançada no espaçamento de 40 cm foi maior que no de 60 e no de 80 cm;
*A produtividade dos híbridos plantados com o espaçamento de 40 cm foi 5% maior quando comparada com o espaçamento de 60 cm e 9% quando comparado com o espaçamento de 80 cm;
*A menor vantagem de produtividade, comparando o espaçamento de 40 cm com o de 80 cm foi de 6,1% na população de 40.000 pl/ha e a maior foi de 11,3% na população de 100.000 pl/ha;
*Existem diferenças de resposta na produtividade entre os híbridos na interação. É importante que o interessado entre em contato com a empresa de sementes para que ela avalie cada situação.

RECOMENDAÇÕES E ALERTAS
Antes de realizar a redução do espaçamento e o aumento da população de plantas, recomendamos que o produtor analise vários aspectos. Para isso, listamos algumas sugestões:

- Converse com a empresa produtora de sementes a respeito dos híbridos e da experiência que ela possui. É importante lembrar que os limites de aumento da população de plantas dependerão de: nível de fertilidade do solo; nível de adubação; nível tecnológico; histórico de chuvas; se a área é irrigada; umidade de colheita; a altitude da região; época de plantio;

- Certifique-se que realmente a redução de espaçamento no milho para 45 a 50 cm é o aspecto mais importante para se mudado agora;

- Veja se não existem outras práticas que prioritariamente deveriam ser realizadas;

- Faça uma análise de quanto custará uma nova plataforma;

- Certifique se você possui equipamentos que permitam entrar na lavoura de espaçamento reduzido;

- Planeje como serão feitos os tratos em pós-emergência;

- Observe se a redução de espaçamento no milho irá implicar obrigatoriamente em modificações no espaçamento de outras culturas, a exemplo da soja, como forma de melhor aproveitamento de maquinários;

- Efetuar as mudanças aos poucos.





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