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Reportagem de capa da última edição










 

Cultura do milho - mar/abr 2002

O milho: O Rei dos cereais - Da sua descoberta há 8.000 anos até as plantas transgênicas
Eng.º Agr.º Claudio de Miranda Peixoto
Gerente de Marketing - PIONEER
claudio.peixoto@pioneer.com



A ORIGEM DO MILHO

A espiga de milho mais antiga que se tem conhecimento foi descoberta em 6.000 ac. no vale do Tehuacan no México. Porém, a origem do milho é até hoje muito discutida. O parente mais próximo do milho, o Teosinte, é uma gramínea anual originária do México e da Guatemala. Para alguns cientistas, o milho foi originário do Teosinte através de seleção feita pelo homem, mas outros defendem a hipótese de que o milho e o Teosinte diferenciam-se a mais tempo de um mesmo ancestral comum.


Cerâmica Inca
A História da América está intimamente ligada ao milho


Independente da corrente científica, há alguns milhares de anos, os indígenas americanos domesticaram o milho, submetendo-o a um processo contínuo de melhoramento, chamado de seleção massal, onde as melhores plantas eram selecionadas, seus melhores grãos separados e semeados novamente.

Durante esse processo, uma gramínea com vários colmos, espiguetas pequenas e com poucos grãos foi aos poucos evoluindo até transformar numa planta ereta, com um único colmo, com uma inflorescência masculina e outra feminina separada numa mesma planta, com espigas maiores contendo maior quantidade e qualidade de grãos, sendo atualmente uma fonte importante na alimentação animal e humana.

Hoje são conhecidos cinco principais tipos de milho - Pipoca, Duro, Dentado, Farináceo e Doce e que já existiam na América por ocasião do descobrimento. Atualmente, são identificadas mais do que 250 raças, porém todas tiveram suas origens, quer direta, ou indireta, nos trabalhos dessas civilizações pré-colombianas.

O MILHO - O REI DOS CEREAIS

Quando a América foi descoberta, o milho, era o principal alimento para todas as civilizações, sendo cultivado desde do Canadá até o Chile. Em 1493, quando do retorno de Colombo à Europa, ele levou alguns grãos do até então cereal desconhecido. Cerca de 100 anos depois, comerciantes e navegadores distribuíram o cereal pelos cinco continentes.

Durante séculos, o milho teve importância fundamental na sobrevivência dos povos e inclusive na vida religiosa das civilizações. O milho, era conhecido e aclamado como o "O rei dos cereais" tinha alta capacidade de produção, adaptabilidade e utilização.

O milho é um dos cereais que possui maior capacidade de produção pois, por ser uma planta C4, é mais eficiente na produção de matéria seca por área e conseqüente produção de grãos. Por essa característica tornou-se a mais importante cultura na alimentação animal e indispensável no processo de rotação de culturas no plantio direto, fornecendo uma maior quantidade de palha e matéria orgânica para o sistema.

A grande diversidade genética adquirida por milhares de anos de domesticação, seleção e melhoramento, permite ao milho uma ampla adaptação de solo e de clima. Devido a este aspecto, o milho hoje é o cereal de maior cobertura geográfica no mundo, sendo cultivado desde o nível do mar até 4.000 metros de altitude e de regiões extremamente áridas com índice pluviométrico de 400 mm/ano até regiões tropicas com mais de 1.500 mm/ano.

O milho é um cereal com ampla diversidade de uso. Além do consumo " in natura", fubá e farinha na alimentação humana, o milho pode ser utilizado na alimentação animal, onde o seu grão é utilizado como o maior componente de rações de aves e suínos. Na bovinocultura, é utilizado como forma de volumoso, podendo ser utilizado na forma de silagem de grão úmido, ou de planta inteira.

Na indústria, o milho pode ser transformado em vários subprodutos. O óleo pode ser usado direto para consumo humano, ou então transformá-lo em margarina, maionese, etc. O amido poderá sofre várias transformações. Ele poderá ser transformado em dextrina que será usada em adesivos, xaropes, etc, ou então na forma de dextrose, que será utilizada em enlatados, ou ainda na forma de frutose como principal adoçante da indústria de doces e bebidas. Recentemente, o milho vem sendo utilizado na forma de polímeros biodegradáveis na indústria de embalagens e automobilísticas. Nos países mais desenvolvidos, a exemplo dos Estados Unidos, o milho hoje é encontrado em quase todos os produtos: biscoitos, cosméticos como batons e cremes, sorvetes, balas, roupas, revistas, pasta de dentes, tintas, remédios, material escolar como lápis, loções, alimentos em geral como salgadinhos destinados ao público infanto-juvenil, etc.

O MELHORAMENTO CONVENCIONAL - E ASSIM A HISTÓRIA COMEÇOU

O descobrimento das linhas puras, ou linhagens, oriundas do processo de autofecundação das plantas de milho por várias gerações, e do vigor híbrido, ou heterose resultante do cruzamento dessas linhagens foram os responsáveis pelo impulso que o melhoramento genético convencional tomou no início do século passado.

Em 1926, um jovem estudante americano, Henry Wallace, que mais tarde seria secretário da agricultura e vice-presidente dos Estados Unidos, e que havia ganhado um concurso de produtividade de milho, em Iowa, fundou a PIONEER HIBRED que foi a primeira empresa a produzir e comercializar sementes híbridas de milho. Naquela época, a significativa diferença de desempenho entre as variedades existentes no mercado e os híbridos duplos recém lançados despertou o interesse dos produtores americanos. Um grande programa de melhoramento genético foi iniciado através da purificação, seleção, melhoramento e cruzamento de linhagens, buscando a maior produtividade, adaptação, melhoria das características agronômicas para a colheita mecânica e da resistência às doenças e pragas. Atualmente, o mercado brasileiro de sementes dispõe desde variedades de milho destinadas aos produtores de menor nível técnico até híbridos triplos (resultante do cruzamento entre uma linhagem e um híbrido simples) e híbridos simples (resultante do cruzamento entre duas linhagens) sendo esses últimos de maior custo de produção para as empresas de sementes.


Henry Wallace, fundador da empresa PIONEER HIBRED


A BIOTECNOLOGIA

Nos últimos 15 anos principalmente, os avanços na área de citogenética e biologia molecular abriram novas perspectivas para o melhoramento genético convencional proporcionando maior rapidez e precisão aos programas de melhoramento. Inúmeros cientistas do mundo inteiro estão aprendendo a manipular pedaços de genes, isolando-os e inserindo-os em cromossomos de diferentes espécies.

Essa tão discutida e debatida ciência, a biotecnologia, vem nesses últimos anos desenvolvendo-se cada vez mais. Apesar de bastante nova e também questionada, a biotecnologia hoje, reúne uma quantidade de informações que talvez poucas outras ciências, ou tecnologia reuniram até os dias atuais. O que talvez muitos não entendem, é que por exemplo, no caso do milho, ele possui um total de 100.000 genes, a biotecnologia, atualmente está trabalhando com 4 a 5 genes sendo esses na sua primeira geração, estão na maioria ligados a proteção de plantas, isto é, tolerância a insetos e herbicidas.

Assim, a biotecnologia, dentro da visão da Pioneer, nada mais é do que uma ferramenta de apoio ao processo de melhoramento convencional, para as características agronômicas que são controladas por um gene, ou poucos genes. Como exemplo, o milho com o gene de Bacillus thurigiensis, ou milho Bt. Nesse caso, foi identificado um gene de interesse de uma bactéria. Esse gene foi isolado e transferido para o milho que agora tendo esse gene produz uma proteína que é letal a determinadas espécies de insetos da ordem lepidóptera como a lagarta do cartucho ( Spodoptera frugiperda). Num futuro bem próximo, outras características de interesse agronômico, como maior teor nutricional, maior tolerância à podridão de grãos, etc, poderão ser inseridas no milho e em outras espécies vegetais.

O MILHO NO BRASIL E NO MUNDO

O mundo planta cerca de 150 milhões de hectares de milho com uma produção que oscila entre 550 a 580 milhões de toneladas. Os principais produtores de milho no mundo são os Estados Unidos, China, Brasil, México, França, Argentina e Índia. Os Estados Unidos são responsáveis por 25% da área plantada, 40% da produção, 30% do consumo e 70% das exportações. Os países asiáticos - Japão, Coréia e Taiwan, seguidos do México e do Egito são os maiores importadores.


Brasil produz mais de 40 milhões de toneladas de milho por ano


O Brasil é terceiro país em área plantada (13 milhões de hectares), produção (41 milhões de toneladas em 2000/2001). O Brasil nunca foi um país exportador, mas em 2001 o Brasil exportou próximo a 6 milhões de toneladas localizando-se entre os quatro maiores exportadores. A área de plantio de milho no Brasil oscila ano a ano , se mantendo ao redor dos 12 a 13 milhões de hectares. Apesar de lenta, a produtividade de milho no Brasil, vem crescendo ano após ano, pois a produção passou dos 20 a 25 milhões de toneladas na década de 80, para 30 a 35 milhões nos anos 90, atingindo entre 38 a 41 milhões de toneladas nos últimos anos. A baixa produtividade brasileira é devida, principalmente, a existência de áreas de baixíssima tecnologia principalmente no NO e NE do pais. Só como um parâmetro de comparação, os clientes que utilizam os híbridos Pioneer, que na safra passada totalizaram mais do que 1 milhão e 500 mil hectares, obtiveram média de produtividade entre 5.000 e 8.000 kgs/ha. Entretanto, existem inúmeros produtores que mantém médias de produtividade acima dos 8.000 kgs/ha e muitos superando a barreira dos 10.000 kgs/ha, conciliando genética e manejo.

O trabalho entre as empresas de sementes e produtores quer isolados, quer organizados através de cooperativas, ou associações, tem sido um importante passo para aumentar a eficiência do sistema.





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