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Reportagem de capa - maio/jun 2008
Film coating no recobrimento das sementes
Alexandre Levien
amlevien@gmail.com
Silmar T. Peske e Leopoldo Baudet
A indústria química dos polímeros é a que tem apresentado o maior desenvolvimento na última década. Produtos comerciais de diversas empresas são comercializados no mercado agrícola para o recobrimento de sementes. Os polímeros são caracterizados por serem a união de vários átomos, muitas vezes de diversas classes e/ou ligações múltiplas (maiores exemplos de polímeros em aplicação são os plásticos e tintas). Os polímeros para o recobrimento de sementes têm a característica de já possuírem o adesivo e o corante que, em formulações específicas para tratamento de sementes, objetivam a melhoria do processo e a qualidade final das sementes tratadas. Um polímero ideal não deve ser permeável ao vapor de água, mas deve obrigatoriamente permitir a embebição de água pelas sementes.
O recobrimento de sementes consiste na deposição de uma camada fina e uniforme de um polímero à superfície da semente. É utilizado conjuntamente com o tratamento químico e biológico, sendo um material protetor aplicado em quantidade muito precisa e com impacto mínimo sobre o meio ambiente. Isto torna esta tecnologia altamente eficiente na proteção das sementes, ao combinar fungicidas com inseticidas e outros compostos com uma camada ou filme feito de polímero líquido (film-coating).
Devido à proteção imposta pelos polímeros às sementes, em relação a variações de temperatura e umidade, tanto no solo como em armazenagem, as sementes polimerizadas tendem a apresentar melhor germinação e emergência, principalmente sob condições adversas. Isto vem a repercutir significativamente no sucesso do estabelecimento da plântula e, assim, da lavoura. Também melhoram a fixação de defensivos usados no tratamento de sementes e possibilitam a adição de diversos outros produtos, como micro e macro nutrientes, hormônios e, em alguns casos, produtos em pó. Entretanto, o benefício não se verifica somente nas sementes; isto é, além de melhorar a aparência e a plantabilidade das sementes, melhoram o manuseio e a aplicação dos produtos químicos, dando maior proteção aos trabalhadores e ao meio ambiente.
Os polímeros são materiais ligeiramente mais viscosos que a maioria dos químicos usados como defensivos no tratamento de sementes. Logo, o seu uso exige uma máquina tratadora de sementes apta a aplicar o produto com uniformidade e exatidão na dosagem. No Brasil, esta exigência de uso pode ser alcançada com tratadoras convencionais fornecidas por fabricantes de máquinas que sejam preocupados em inovar e fornecer totais condições em seus produtos, isto é, com adaptações específicas para a aplicação dos produtos.
Não há restrições ao uso dos polímeros, podendo ser utilizados tanto em espécies com sementes pequenas (fumo e cenoura), como grandes (soja, milho e algodão), desde que a dose aplicada às sementes seja uniforme, principalmente no caso de sementes de formato irregular, as quais exigem maior precisão no tratamento.
Os polímeros atuam como uma camada extra, formando um "encapsulamento" da semente, junto com qualquer produto aplicado à mesma, seja este com objetivo de proteção às adversidades provenientes de patógenos e ao ambiente em geral, ou de fornecer melhores condições à germinação e emergência das sementes, melhorando significativamente a eficiência de qualquer tratamento pretendido. Esta questão está diretamente relacionada ao estabelecimento das plantas no campo de produção, fornecendo maior probabilidade de alcançar a população de plantas por área pretendida pelo produtor, a qual vem a ser essencial no sucesso da produção final da cultura. Seu efeito é ainda mais evidente em hortaliças e híbridos em geral, onde a uniformidade de emergência e a população adequada de plantas são cruciais, devido, principalmente, ao valor da semente e, em muitas vezes, à menor densidade de semeadura, situação em que as sementes possuem maior representatividade na população.
Sob o ponto de vista comercial, outra vantagem está relacionada à aparência ou visual da semente polimerizada, permitindo identificá-la por diferentes cores, espécies, cultivares, tratamentos ou quaisquer outras diferenciações.
Relação custo/benefício
O tratamento das sementes (utilizando polímero + fungicida + inseticida) representa um dos menores investimentos financeiros que um produtor pode fazer, entretanto, com grande potencial de retorno do investimento. A aplicação eficaz é essencial para assegurar que todas as sementes sejam cobertas com a quantidade adequada de produto químico, de modo que as vantagens do tratamento das sementes sejam maximizadas.
O custo da utilização do polímero deve ficar no máximo entre 2 e 3% do custo total das sementes. Seja de grandes culturas, como soja, milho ou algodão, ou em hortaliças e forrageiras.
A relação custo/benefício é sempre favorável, não importando a situação. Porém, sua percepção é mais clara em sementes de híbridos e hortaliças.
Para exemplificar, temos as seguintes situações para sementes de milho:
- Custo total do saco de sementes de milho híbrido: R$150,00 / saco de 20kg
- Custo das Sementes em si: R$ 119,00 (79,3%)
- Custo do inseticida: R$ 18,00 (12%)
- Custo do fungicida: R$ 10,00 (6,7%)
- Custo do polímero: R$ 3,00 (2%)
Se formos considerar a possibilidade da necessidade de realizar ressemeadura da área, a relação custo/benefício é muito favorável. Esta é uma situação muito provável para diversas culturas, até mesmo para a soja.
As sementes são componentes essenciais de qualquer sistema de cultivo. No entanto, têm sido geralmente consideradas um fator de menor importância para o planejamento dos cultivos. No passado, os produtores tinham mais preocupação com o preço das sementes do que o seu intrínseco potencial para melhorar o desempenho das culturas. O sucesso na implantação de uma lavoura está no uso de sementes de alta qualidade. Temperatura, umidade e a ação de fungos e insetos presentes na semente e no solo são condições que podem prejudicar a germinação, o crescimento inicial e o estabelecimento de plantas e, conseqüentemente, um bom estande da lavoura.
Atualmente, com o desenvolvimento de novos híbridos e variedades, através do melhoramento convencional e da biotecnologia, os obtentores estão incorporando um maior valor genético às sementes e aumentando, assim, o potencial produtivo das culturas. Com isto, torna-se de suma importância que seja realizado o tratamento de sementes, para protegê-las nas fases iniciais do seu desenvolvimento, originando com isso plantas vigorosas e produtivas.
Melhoria do tratamento com a utilização de polímero
Como comentado anteriormente, a colocação do polímero na semente pode ser considerado como um processo essencial, devido a vários motivos já mencionados, destacando-se entre eles o de proporcionar uma adequada distribuição dos produtos na semente, em que todas elas praticamente vão possuir a mesma dosagem dos produtos. No sentido de ressaltar esta característica do benefício do uso de polímeros, realizou-se um estudo para demonstrar sua eficiência. A ferramenta normalmente utilizada para verificar a eficiência da aplicação do polímero é a cor, entretanto esta é uma qualidade que pode facilmente enganar. Assim, buscou-se um instrumento mais preciso, envolvendo a pesagem das sementes, em que o registro é feito através de um número, minimizando eventuais equívocos.
O estudo foi realizado com sementes de soja, onde as sementes foram padronizadas por tamanho, com as peneiras 6,5 e 6,0mm de diâmetro. A seguir, realizou-se o tratamento de 50 kg de sementes com fungicida na dose recomendada pelo fabricante e de mais 50 kg de sementes tratadas com fungicida mais um polímero, também nas doses recomendas pelos fabricantes. Depois de realizados os tratamentos (sementes sem tratamento, sementes tratadas com fungicida e sementes tratadas com fungicida mais polímero), 800 sementes de cada tratamento foram pesadas uma a uma em balança de precisão analítica com quatro casas decimais.
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