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Reportagem de capa
continuação: Secagem a Alta Velocidade
Fornalha
Os professores, muitas vezes, são contestados pelos alunos, o que é bom. Entretanto, às vezes a situação se torna difícil, sendo necessário demonstrar in loco o fato. Durante uma aula de secagem, ao informar que um secador intermitente deve secar três cargas por dia, no mínimo, houve contestação de tal forma que não havia outra saída a não ser visitar o sistema de secagem que estava secando apenas uma carga por dia. A unidade de beneficiamento de sementes situava-se a 300 km de distância. No local, após amável recepção pelo responsável técnico da unidade de beneficiamento, de imediato foi-se ao sistema de secagem de sementes de arroz. Eram seis secadores de 10 toneladas cada um, todos operando normalmente com a temperatura do ar de 70°C, que aquecia a semente no final da secagem a 42°C, sinal que, em relação à temperatura, tanto do ar quanto da semente, estava bem. Após a verificação da temperatura, verificou-se o sistema de ar e a primeira providência foi inspecionar os ventiladores. Entretanto, eram originais, o que levou a pensar em outras causas menos freqüentes. Caminhando ao redor dos secadores, constatou-se que a regulagem da temperatura era feita diretamente pelo ar que sai da fornalha, ou seja, não havia entrada de ar frio, tornando o fluxo de ar estrangulado, pois os seis secadores eram alimentados por uma só fornalha, de forma ineficiente. Como solução, recomendou-se a abertura de uma janela para entrada de ar frio (o que proporcionava mais fluxo de ar para o secador), o que foi acatado, e o resultado obtido foi a elevação da velocidade de secagem para 1,3pp/hora.
 Algumas dicas de secagem
Cuidados
A secagem empregando alta velocidade requer cuidados especiais, sendo possível destacar os mais importantes:
a) Super secagem - a secagem intermitente é realizada com baixa UR e alto fluxo de ar. Por isso, a determinação da umidade das sementes deve ser realizada a intervalos regulares de tempo (20-30 min) para que não ocorra super secagem, ou seja, que sementes sequem a 10% de umidade em vez de 12-13%. Baixa umidade da semente propicia a danificação mecânica, e secagem excessiva aumenta o tempo de secagem com a diminuição da eficiência de secagem, entre outros inconvenientes. É importante ressaltar que na secagem intermitente, como as sementes estão em movimento, não há frente de secagem, significando uma secagem mais uniforme das sementes;
b) Danos mecânicos - as sementes estão em contínuo movimento e passam várias vezes por elevador, havendo risco de ocorrer danificação mecânica das sementes, caso o elevador esteja desregulado ou não seja do tipo adequado. Na secagem, como as sementes entram úmidas no secador, a danificação mecânica é desprezível, desde que cuidados especiais sejam tomados com o elevador. Em princípio, quanto menos voltas a semente der pelo sistema secador-elevador, menores serão os riscos de danificação mecânica.
c) Secagem muito rápida - é importante uma secagem rápida, entretanto deve-se respeitar o princípio físico segundo o qual a umidade do interior da semente necessita migrar para a periferia e aí ser transportada pelo ar para fora do ambiente de secagem. Caso ocorra uma secagem muito rápida, em que a periferia da semente tenha uma umidade muito diferente de seu interior, haverá danos internos (como fissuras em sementes de arroz e milho), que afetarão a qualidade da semente. Assim, recomenda-se que a velocidade de secagem seja, no máximo, de 1,3pp/hora, para soja e feijão, e 1,8 a 2pp/hora, para arroz e trigo. Em arroz, acima de 2pp/hora, ocorrem fissuras nas sementes, ocasionando um baixo rendimento de grãos inteiros.
 Relação entre temperatura e umidade de semente de soja
Milho em espiga
Sabe-se que o ar deve passar pelas sementes para que ocorra a secagem, e quanto mais fácil passar, mais rápida será a secagem. Neste sentido, questionava-se com freqüência por que o milho em espiga leva muito mais tempo para secar do que o milho debulhado, uma vez que em um m3 de milho debulhado tem-se 750 kg e, por outro lado, apenas 450 kg quando o milho está em espiga. Realmente, o ar passa relativamente fácil através das espigas de milho, entretanto tem dificuldade em passar pelas sementes que estão presas ao sabugo - e se o ar não passa não haverá secagem, pois a umidade não será transportada para fora do ambiente de secagem. A propósito, o sabugo, mesmo possuindo maior umidade do que a semente, não é o responsável pela secagem lenta do milho em espiga - embora seja tecnicamente recomendável a colheita de sementes de milho com umidade acima de 30% e secagem em espiga.
Em regiões de baixa ocorrência de chuvas na época de colheita, empresas realizam a colheita de sementes de milho debulhado com umidade ao redor de 20% e realizam secagem intermitente, obtendo velocidades de secagem superiores a 1,0pp/hora, pois o ar passa facilmente através das sementes de milho, quando debulhadas.
O mito
Escuta-se com freqüência que a secagem torra a semente. Entretanto, a verdade é outra. Quem não seca semente demonstra que produz muito pouco ou que muitos de seus lotes sofreram deterioração de campo. A secagem é garantia de quantidade com qualidade.
A capacidade de secagem
Considerando um secador com capacidade estática de 25 toneladas de sementes de soja por carga e realizando 3,5 cargas por dia durante uma colheita de 40 dias, este secador terá secado, no fim da colheita, 140 cargas de 25 toneladas cada, ou um total de 3.500 toneladas, que pode ser considerada uma quantidade apreciável de sementes.
Um produtor de sementes de soja que tenha uma demanda para 8.000 toneladas (200.000 sacos de 40kg) receberá em sua unidade de beneficiamento de sementes ao redor de 11.000 toneladas (considerando uma perda no beneficiamento de 25%), e, considerando que secará 60% de sua produção (6.600t), deverá providenciar dois secadores com capacidade estática de 25 toneladas (total da safra 7.000t) para atender a necessidade de secagem. Com este dado pode-se determinar o custo da secagem para a obtenção de sementes em quantidade e qualidade. O custo, considerando o sistema de secagem, a amortização em 10 anos, pessoal e combustível, é inferior a R$ 1,00/saco de sementes de 40kg.
Outras situações poderiam ter sido utilizadas, principalmente em relação à capacidade estática do secador. Entretanto, pela quantidade de semente utilizada como exemplo, o secador de 25 toneladas ajusta-se melhor pela facilidade de que cada carga de secador pode ser considerada um lote de sementes e assim ter um registro mais eficiente do seu histórico. O percentual da produção de sementes de soja estimado para ser seco pode variar de região para região; porém, a utilização de 60% é um bom referencial, mesmo porque é aconselhável ter capacidade de secagem superior ao necessário, pois as necessidades de secagem não são uniformes durante a colheita.
Em tempos em que o negócio sementes requer, cada vez mais, que os processos sejam otimizados, a secagem é uma das operações que devem ser consideradas para a obtenção de sementes de qualidade, em quantidade e a um preço competitivo. Neste artigo, discutiu-se a operação de secadores do tipo intermitente, que propiciam uma velocidade de secagem superior a um pp/hora, ou, em outras palavras, possuem uma capacidade de secagem de, no mínimo, três cargas/dia. Aspectos de UR e fluxo de ar são apresentados, assim como cuidados especiais para a obtenção de uma alta capacidade de secagem sem prejudicar a qualidade das sementes. Ilustra-se também a necessidade de secadores para uma empresa de sementes que comercializa 8.000 toneladas de sementes/ano.
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