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Reportagem de capa - set/out 2007
Aumentando o desempenho das sementes
Leopoldo Baudet
lmbaudet@ufpel.edu.br
Fabrício Peske
Como abordado na edição de julho/agosto de 2007 da revista SEED News, na matéria "Cresce a percepção do valor da semente", o professor Silmar Peske nos mostra num gráfico os componentes do custo de sementes de soja no Brasil, demonstrando as diferentes tecnologias ao alcance do agricultor no simples momento de depositar a semente no solo. Isto envolve, além da própria semente, que deve possuir o fator ALTA QUALIDADE pelo seu alto custo, aplicações de produtos como fungicida, inoculante, film coating (recobrimento), micronutriente e inseticida, dentre outros.
De acordo com a tabela, para aproveitar tudo isto o produtor tem que ter certeza da qualidade das sementes, bem como saber se os produtos foram bem aplicados e se houve uma boa distribuição do produto para que o mesmo desempenhe seu papel.
Em qualquer negócio, há o momento do investimento e o de colheita dos lucros. Nisto a semente é o maior exemplo, e o é desde o início dos tempos. Porém, com a chegada de diversas tecnologias na agricultura mundial, este conceito tornou-se uma verdade ainda maior.

O uso de sementes de alta qualidade e desempenho é amplamente reconhecido pelos produtores como um dos meios mais efetivos de minimizar custos e riscos. Uma vez que todas as medidas para manter e realçar a qualidade das sementes já foram tomadas e as sementes possuem qualidade genética reconhecida, os produtores ainda podem optar por aumentar o desempenho das mesmas através da melhoria ou otimização das condições de semeadura e do ambiente ao redor delas. O aumento do desempenho das sementes se dá através de tratamentos especiais, através de beneficiamento e procedimentos para melhorar as condições de semeadura.
Estratégias de alta tecnologia aplicadas às grandes culturas para cobrir ou superar as expectativas dos agricultores
O mercado de sementes é hoje, em muitas espécies (soja, algodão, milho hibrido, arroz, hortaliças e flores), de intensa concorrência, pelo que os produtores têm plena consciência da qualidade e de que a falha da germinação e da emergência uniforme das sementes pode ter conseqüências graves em termos de aceitabilidade do produto.
As metodologias que vêm implementando-se para melhorar o desempenho das sementes envolvem o tratamento de recobrimento de sementes com polímeros específicos, para protegê-las no solo quando da semeadura; o tratamento de pré-condicionamento (osmótico ou hídrico) ou priming de sementes; o aumento ou melhoria de um ou mais aspectos do desempenho das sementes (germinação, emergência) acima do nível determinado pela herança genética e alcançável por condições naturais; os melhoramentos ou alterações nas propriedades físicas das sementes que realcem sua plantabilidade e tratamentos químico-biológicos para regular a germinação e emergência (reguladores de crescimento).
Já é possível, graças ao recobrimento, aderir à semente tanto produtos em pó como líquidos, criando uma situação de não mais cogitar o tratamento tradicional de sementes, mas decidir tratá-la com quais e quantos produtos. Isto implica não só em protegê-la de quaisquer patógenos possivelmente presentes, tanto no solo como em si própria, mas muitas vezes favorecê-la com micronutrientes, produtos hidrófobos ou até mesmo hormônios.
Esta verdade possui ainda um maior peso, quando a semente em questão possuir um valor muito acima do comum, como no caso de híbridos de milho ou arroz, hortaliças e flores em geral, onde mesmo uma baixa porcentagem de sementes/plântulas mortas significa um grande prejuízo, ao levarmos em conta a sua importância na população ou potencial de produtividade.
Diversos trabalhos de pesquisa apontam que um pequeno investimento no tratamento, relativo ao custo da semente, não só melhora o desempenho da germinação e emergência das sementes e, por conseguinte, sanidade das plântulas, mas acarreta em tremendos aumentos na produção por ha. No caso de arroz tratado com inseticida, chega até 712,5 kg/ha, controlando bicheira do arroz entre outros; fungicidas em hortaliças, reduzindo os microrganismos causadores de tombamento pré e pós-emergência ("damping-off"), como Alternaria, Pythium, Phytophythora e Rhizoctonia; ou produtos hidrófobos em sementes de Brachiarias, permitindo que as sementes germinem apenas quando houver quantidade suficiente de umidade no solo, ou seja, não germinem na primeira chuva; ou outra adversidades.
Cada cultura, cultivar, ou até mesmo região, exige um diferente tratamento à semente. Em soja e milho o inseticida representa de 12 a 22% do custo da semente, por ser muitas vezes o único tratamento capaz de atingir pragas específicas do solo, aumentando o rendimento de grãos em até 128%.
Em milho e arroz, a situação é ainda mais clara, em se tratando de híbridos, onde a densidade de semeadura é menor e a semente possui um valor ainda maior.
Além do tratamento tradicional com fungicidas (sistêmicos e de contato) e inseticidas (químicos e biológicos), os tratamentos com Ácido Giberélico (regulador de crescimento) para acelerar a germinação e emergência em sementes de arroz e alface; com Peróxido de Hidrogênio, em soja, feijão e beterraba açucareira, para melhorar a germinação e emergência, tem sido relatados para a melhoria do desempenho das sementes.
 Componentes do custo de várias espécies de sementes no Brasil
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