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Reportagem de capa da última edição










 

Consultas SEED News - nov/dez 2006

Esta seção da revista SEED News está sendo coordenada pela equipe da área de sementes da Universidade Federal de Pelotas, objetivando esclarecer as inúmeras dúvidas enviadas pelos seus leitores.


Envie sua consulta para o e-mail: silmar@seednews.inf.br


Escutei que o estado do Rio Grande do Sul tem apenas 70% da demanda de semente necessária para o plantio da soja na safra 2006/07. Neste sentido, gostaria de saber o que significa demanda de semente?
O Rio Grande do Sul (RS) cultiva quatro milhões de ha de soja, o que, considerando uma densidade de semeadura de 60kg/ha, equivale a uma demanda potencial de 240.000t de sementes de soja. Entretanto, há um percentual de agricultores que utilizam suas próprias sementes. No caso do RS, nos últimos 20 anos, o valor mínimo foi de 35%. Este percentual, para sementes de variedades autógamas como soja, trigo e arroz, é normal, pois por tradição ou outro fator, alguns agricultores utilizam suas sementes salvas. Assim, o que interessa para a programação da produção de sementes é a demanda real que considera a densidade de semeadura e a taxa de utilização comercial de sementes, que em nosso caso seria de 65% (100-35) no máximo, ou 156.000 t de sementes. Resumindo, o estado do RS possui semente suficiente para atender a demanda real de sementes de soja para a safra 2006/07.

Por favor, comentem sobre algumas dicas de como minimizar o problema de danificação mecânica em sementes, pois perdi muitos lotes de sementes após alguns meses de armazenamento e, segundo estive me informando, uma das causas pode ter sido a danificação mecânica.
Toda semente possui três partes essenciais: o embrião, para originar a nova planta, um tecido de reserva para alimentação, e a proteção física, comumente conhecida como casca. Qualquer parte que não funcionar acarretará sérios problemas à semente. No caso da danificação mecânica, a proteção natural das sementes é rompida e, dependendo da grandeza, a semente pode morrer imediatamente ou acelerar o processo de deterioração, de tal forma que em poucas semanas perderá sua capacidade de originar uma nova planta. O seu caso, provavelmente, seja o último.

Tenho colhido soja com temperaturas da semente superior a 30°C e isso me está causando preocupação, pois sei que a temperatura é um dos fatores que mais afeta a qualidade fisiológica das sementes. Gostaria de saber o que posso fazer para minimizar os efeitos negativos da alta temperatura das sementes.
A alta temperatura é, realmente, um dos fatores que mais afeta a qualidade das sementes, e de acordo com uma regra prática, para cada 5°C que se aumenta a temperatura das sementes diminui-se a metade do potencial de armazenamento das sementes. Como as sementes de soja possuem um baixo potencial de armazenamento (oito meses) em condições normais, devemos diminuir a temperatura da massa de sementes, o mais rápido possível, que em seu caso deverá ser realizado no máximo dentro de uma semana.

A pirataria de sementes é algo universal e que causa vários danos ao negócio sementes. Poderiam comentar sobre os principais problemas?
De fato, a pirataria está globalizada e temos de usar ferramentas para minimizá-la. O principal problema é que afeta diretamente os programas de melhoramento para obtenção e desenvolvimento de novas e melhores variedades. Como é sabido desde o tempo de nossos avós, o sucesso de um cultivo agrícola esta centralizado no uso de variedades adaptadas. Muitos outros inconvenientes poderiam ser citados, como falta de garantia da qualidade das sementes e disseminação de pragas.

Utilizo campos de produção de sementes que estão a mais de 100 km da Unidade de Beneficiamento (UBS) de Sementes e, neste ano, colhi trigo com um pouco de umidade e parece que algumas cargas aqueceram. Seria possível algum comentário a respeito?
Sementes úmidas devem ser secas o mais rápido possível. No caso de trigo com 18% de umidade, a espera para a secagem não pode ser superior a 24 horas. Em seu caso, em que as sementes de trigo aqueceram, a umidade das sementes estava acima de 15% e o tempo de espera, provavelmente, foi longo devido a distância da UBS ou algum outro problema como falta de energia, feriado, greve etc

É verdade que possuir um laboratório de sementes não é suficiente para começar a realizar serviços de avaliação da qualidade?
Ter estrutura física e os equipamentos mínimos necessários, verdadeiramente não é suficiente para começar a operar comercialmente um laboratório de análise de sementes. O laboratório também necessita credenciar-se a um órgão ou entidade para mostrar sua competência técnica e que adota um sistema de qualidade reconhecido.




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